PSDB e MDB avançam em acordo e cúpula tucana decide apoiar Tebet

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após avançar em tratativas em torno da disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul, a cúpula do PSDB decidiu chancelar o apoio do partido à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-RS) à Presidência da República.

A aliança com o MDB será discutida e votada em reunião da executiva tucana marcada para esta quinta-feira (9).

"Nesse importante momento da história do país será encaminhado, nesta quinta-feira, na Executiva Nacional do PSDB a proposta de coligação com o MDB para eleição de presidente de República com o nome da senadora Simone Tebet", diz a mensagem publicada no Twitter do PSDB.

O anúncio ocorre após uma série de reuniões de emedebistas e tucanos do Rio Grande do Sul. Nesta terça (7), o ex-governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB-RS) reuniu-se com dirigentes do MDB do Sul.

O PSDB quer que ele seja o candidato ao governo do estado e que Gabriel Souza, atual pré-candidato pelo MDB, esteja na chapa como candidato a vice.

Leite disputou as prévias do PSDB para ser candidato ao Planalto, mas foi derrotado pelo ex-governador de São Paulo João Doria —que desistiu da disputa neste ano, por não ter o apoio da cúpula tucana.

Na semana passada, em nova pressão sobre o MDB, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, ameaçou voltar a discutir uma candidatura própria do partido caso os emedebistas não destrassem acordos em estados nos quais os tucanos pediram apoio.

No encontro, ficou resolvido que o PSDB daria ao MDB um prazo até a esta semana para destravar os palanques de Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.

Embora os tucanos tenham pedido apoio em três estados, só o Rio Grande do Sul era considerado decisivo para o rumo da aliança.

Na esteira da saída de Doria, Bruno Araújo havia sido taxativo ao afirmar que uma candidatura presidencial própria do partido era um "assunto vencido, no sentido de que a aliança [com MDB e Cidadania] é absolutamente fundamental".

Tebet tornou a candidata da chamada terceira via, que tenta se colocar como alternativa à polarização entre Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já ficaram pelo caminho nesse grupo nomes como o do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) e o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além do próprio Doria.

A própria cúpula do MDB, no entanto, reconhece que a candidatura ainda precisa se mostrar competitiva em pesquisas de intenção de voto.

Simone Tebet nasceu em Três Lagoas, cidade do interior de Mato Grosso do Sul.

A veia política veio através de seu pai, Ramez Tebet (1936-2006), que foi governador de Mato Grosso do Sul, ministro e presidente do Senado.

Foi pelas mãos dele que ela disputou seus primeiros cargos públicos. Advogada e professora universitária, preferia manter a sua carreira e trabalhar nos bastidores das campanhas do pai, mas foi convencida a se lançar ao cargo de deputada estadual.

O fato mais marcante do início da sua trajetória, no entanto, aconteceu ainda na metade do seu primeiro mandato. Seu pai insistiu para que largasse a Assembleia Legislativa para se tornar prefeita da cidade natal do clã, na divisa com o estado de São Paulo e a cerca de 330 km da capital Campo Grande.

Argumentava que a família tinha alcançado postos importantes no estado e no país, mas vinha sofrendo sucessivas derrotas em Três Lagoas.

Simone Tebet foi eleita, mas conta que seu pai não compareceu à diplomação porque descobriu que o câncer que enfrentou por décadas havia voltado. O político morreu antes da metade do seu primeiro mandato.

Seu secretário de Finanças na prefeitura, Walmir Arantes, lembra que o expediente naqueles anos tinha um turno-extra, que se dava à noite na casa de Simone Tebet.

Simone Tebet tornou-se depois vice-governadora, elegeu-se em 2014 para o Senado, assumiu o comando da prestigiosa CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e chegou a disputar a presidência da Casa —a primeira mulher na história.

Apesar da sua projeção, Tebet tem rusgas com alguns correligionários e não tem boa relação com o MDB de seu estado.

​A senadora também bateu de frente com caciques do partido no Senado quando decidiu se lançar candidata à presidência da Casa em 2019, para enfrentar o correligionário Renan Calheiros (MDB-AL), mas retirou seu nome.

Disputou o cargo em 2021 e acabou abandonada pela maior parte da bancada emedebista e derrotada.

Depois ganhou destaque na CPI da Covid, ao arrancar informações de depoentes, investigar empresas e por enfrentar uma declaração machista do ministro Wagner Rosário (Controladoria Geral da União), que a chamou de descontrolada.

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