PSDB imita movimentos de renovação política e terá seleção e formação de jovens

CAROLINA LINHARES
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 31.05.2019 - Convenção da executiva do PSDB, em Brasília (DF). PSDB elegeu o ex-deputado federal e ex-ministro Bruno Araújo (PE) como presidente nacional do partido para um mandato de dois anos. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao mirar o sucesso de movimentos de recrutamento e formação de políticos novatos, o PSDB resolveu criar seu próprio programa para angariar candidatos a prefeito e a vereador para as eleições do ano que vem.

O "Jovens Líderes do PSDB" será lançado nesta sexta-feira (23) e tem inscrições gratuitas, abertas até o fim de setembro.

O objetivo é selecionar pessoas de até 30 anos e que nunca ocuparam cargos eletivos para que recebam formação política e financiamento público de campanha. O partido quer atrair sobretudo jovens de baixa renda e de periferia.

"A vida pública está precisando de renovação e de quadros jovens que possam se habilitar para o processo eleitoral", diz o presidente do PSDB, Bruno Araújo.

A iniciativa vai ao encontro do que tem pregado o governador paulista, João Doria (PSDB), principal líder nacional tucano atualmente.

Após vencer em 2018, enquanto o partido teve resultado ruim na disputa presidencial e no Congresso, Doria tem buscado repaginar o PSDB e emplacou o aliado Araújo na presidência. Nesta semana, porém, sofreu importante derrota com a decisão do partido de não acolher pedido de expulsão do ex-governador e ex-presidenciável Aécio Neves, réu sob acusação de corrupção.

Doria quer fortalecer e controlar o partido para consolidar seu plano de concorrer à Presidência em 2022. Em discursos, o governador paulista tem se referido à legenda como "novo PSDB" e tem defendido a filiação de jovens e mulheres.

O intuito do "Jovens Líderes do PSDB" é o mesmo de movimentos como RenovaBR e Acredito, que se dispõem a buscar jovens fora da política e apoiá-los com aulas, consultoria e financiamento. Neste ano, essas organizações bateram recorde de inscrições.

Foram justamente o RenovaBR e o Acredito que lançaram na política a deputada Tabata Amaral (PDT-SP). Com 25 anos, criada na periferia e formada em Harvard (EUA), a estreante no Congresso tem exatamente o perfil que o PSDB busca para se renovar.

O partido, inclusive, já sondou a deputada, que está ameaçada de expulsão pelo PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência. "Ela é rosto, alma e coração do novo PSDB”, disse Doria no mês passado.

A diferença do programa do PSDB em relação a outros semelhantes é ser gestado dentro do partido, enquanto os demais são suprapartidários, ou seja, seus recrutados podem se filiar a diferentes siglas, da esquerda à direita.

Com isso, o PSDB busca coesão e pretende evitar dissidências, como o caso de Tabata. Será cobrado do selecionado respeito integral a princípios e valores do partido.

Ao votar pela reforma, Tabata seguiu a visão dos movimentos que a apoiaram, mas foi contra orientação do PDT, o que abriu um conflito entre as instituições.

Para ser selecionado pelo PSDB, o jovem terá que defender valores do partido, como social-democracia, liberdade econômica e direitos individuais. As redes sociais dos participantes serão checadas para evitar aqueles com posições extremistas e antidemocráticas.

Para reforçar o alinhamento partidário, o programa de formação pretende incluir um curso presencial com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sobre a história e os princípios do PSDB.

Araújo diz que o principal mérito do programa é bancar com recursos públicos educação política de qualidade a jovens e não só "aumentar o resultado eleitoral do PSDB".

Os jovens candidatos terão garantia de que receberão uma fatia do fundo eleitoral e partidário. Os recursos públicos dos partidos geralmente são distribuídos apenas a caciques das siglas e a candidatos com maior potencial nas urnas. Durante a campanha, também terão ao seu alcance suporte técnico e consultoria do PSDB.

Para isso, os postulantes terão que passar pelo crivo de tucanos históricos e com mandato, que formarão uma banca de avaliação. O processo seletivo também conta com a consultoria de um cientista político.

A seleção tem diversas etapas, como análise de currículo, análise das redes sociais, teste de atualidades, entrevista e envio de vídeo sobre o que pretende na política.

Em dezembro, o partido divulgará os selecionados, que iniciarão uma série de cursos à distância. A formação é conduzida pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB.

Haverá aulas sobre gestão pública e responsabilidade fiscal, com professores contratados e com prefeitos e vereadores tucanos que tenham exemplos de sucesso.

Também será ensinado comunicação, marketing digital, oratória, relacionamento com a imprensa e combate a fake news. O curso presencial com FHC finaliza a jornada.