Psicóloga que abraçou artes plásticas ao descobrir distrofia vende como nunca na pandemia

Regiane Jesus
·2 minuto de leitura
Acervo pessoal

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Acervo pessoal

RIO — Na infância, era brincadeira de criança. Na adolescência, a qualidade dos traços de Daniele Bloris, moradora da Tijuca, já despertava a atenção de quem sabe apreciar uma obra de arte. Na idade adulta, virou uma segunda profissão.

Psicóloga de formação, a também artista plástica, de 51 anos, começou a se manifestar utilizando pincéis, de forma consciente, na juventude, sobretudo quando descobriu, há cerca de três décadas, uma doença degenerativa que, ao longo do tempo, limitou os movimentos dos seus membros inferiores. Mas com as mãos capacitadas para criar, a produção de telas segue em ritmo acelerado, principalmente após a chegada da pandemia de Covid-19.

O trabalho como psicanalista em home office e a necessidade de distanciamento social fizeram com que a artista se comunicasse com o mundo através dos seus desenhos abstratos. Curiosamente, ela nunca havia comercializado tantos quadros antes. É tempo de colher os frutos de uma longa trajetória.

— Eu sempre gostei de desenhar; a arte veio muito cedo para mim, aos 10, 11 anos. Mas não reconhecia o que fazia como arte, era só um prazer, uma coisa amadora. Quando descobri a doença (distrofia muscular degenerativa), a minha veia artística aflorou com muita força. Passei a usar mais cores, e os desenhos foram se transformando. As minhas obras, que são abstratas, não têm o objetivo de representar nada, me conectam com o mundo. Na pandemia, elas se tornaram indispensáveis para que eu não perdesse a minha ligação com o exterior — conta.

Servidora do Tribunal de Justiça do Rio, Daniele está trabalhando em casa desde março e não sai para quase nada. A reclusão fez com que sua produção de telas tivesse um crescimento expressivo:

— A minha produção está enorme. Já perdi as contas de quantos quadros pintei nos últimos meses. Durante o isolamento, ampliei a minha relação com a minha obra. Surpreendentemente, nunca havia vendido tanto. Acredito que as pessoas, trancadas em casa, sentiram vontade de colocar cor e arte em suas residências. De fato, esta é uma forma de deixar o nosso cantinho mais bonito e renová-lo.

A arte traz ainda outros benefícios para a psicóloga, que parou de andar devido à distrofia muscular.

— Se posso movimentar as mãos, eu as movimento para fazer algo que me deixa feliz — frisa a artista plástica, que pode ser encontrada no Instagram pelo perfil @daniele.bloris.

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