Psicólogo do MIBR, João Cozak fala sobre o trabalho com atletas de esports

João Cozac, de branco, com o time de CS:GO do MIBR (Arquivo Pessoal)

Por Filipe Carbone (@filipe_carbone)

Quando João Ricardo Cozak iniciou a trajetória no mundo da psicologia do esporte não poderia imaginar que 26 anos depois estaria trabalhando ao lado de jogadores que têm como principal ferramenta de trabalho um teclado e um mouse.

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Atual psicólogo do MIBR, tanto do time de Counter-Strike: Global Offensive, quanto do time de Rainbow Six Siege, carrega nas costas uma longa caminhada com esportes considerados mais tradicionais. Dentre tantos trabalhos que já teve, atuou ao em equipes de futebol como Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro e Goiás.

Fora das quatro linhas, João Cozak já trabalhou com a Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica e pilotos brasileiros de Fórmula 1 e Stock Car. Além disso, é presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, professor e autor de quatro livros publicados. Hoje, o psicólogo carrega a responsabilidade de ser “um dos precursores do esporte moderno no Brasil”, como ele mesmo define, e entre eles a psicologia dentro do esporte eletrônico.

“Acredito que a psicologia de alguma forma está muito associada aos esports. As poucas equipes que não têm um psicólogo logo percebem a necessidade porque a demanda é muito evidente. É exigido foco, atenção, velocidade de reação, espírito de equipe e comunicação. Ou seja, tudo que trabalhamos”, revela João.

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A psicologia nos esports

Lars Robl e Jared Tendler, além do próprio João Cozak, são apenas alguns dos psicólogos mais conhecidos no meio do esporte eletrônico. Atuando nas equipes de CS:GO da Astralis e Liquid, respectivamente, eles conseguiram levar as equipes dinamarquesa e americana para o topo do mundo.

Foi justamente o trabalho deles que mostrou a necessidade das médias e grandes organizações contratarem um profissional da área se quiserem galgar projetos maiores para as equipes.

Apesar de ainda estar engatinhando no Brasil, ter um psicólogo na equipe vem se tornando algo cada vez mais comum e visto como prioridade seja pra qual modalidade do esporte eletrônico for. Para Cozak, a valorização desse tipo de profissional nos times é cada vez maior seja aqui ou no resto do mundo.

“Eu vejo o crescimento vertical da psicologia dos esportes eletrônicos. Essa associação é muito positiva, da psicologia com as equipes. Percebo no cenário uma valorização muito grande do trabalho psicológico em equipes de CS, Dota, Clash Royale, LoL, etc. Vejo uma preocupação bastante importante e acho que no Brasil é uma área que tende a crescer cada vez mais”.

Para o psicólogo, a atuação da psicologia nos esportes eletrônicos, assim como em outras modalidades, funciona como uma espécie de triângulo. Ele afirma que um lado é a técnica, o outro é a física e, por fim, a psicologia é a base.

E é justamente por trabalhar como uma das bases para os atletas que o exercício dessa profissão dentro das organizações de esports tem aumentado cada vez mais. Além disso, Cozak ressalta da importância de um psicólogo para atuar ao lado dos jogadores que, na maioria dos casos, são jovens.

“Não adianta ter atletas talentosos e bem treinados se a base psicológica não der o suporte para todo esse conhecimento e habilidades. A psicologia do esporte é tão importante quanto uma boa alimentação e uma boa preparação realizada pelo técnico. E ainda tem a idade dos players, que muitos acabam saindo da adolescência para a fase adulta, com muitos largando o ensino médio para viver o sonho”.

Capitão do MIBR, FalleN faz treinamento sugerido por Cozac (Arquivo Pessoal)

Caminho para o MIBR

Responsável por todo o trabalho psicológico do MIBR, João Cozak conta como foi a trajetória para a organização mais reconhecida do esporte eletrônico brasileiro. A entrada na área aconteceu em 2016, quando recebeu o convite de um dos donos da Vivo Keyd para atuar com diversas modalidades da equipe.

Na ocasião, trabalhou com as lineups masculina e feminina de League of Legends, com as equipes masculina e feminina de CS:GO e, por fim, com jogadores de Clash Royale. Apesar de ter atuado com esportes mais “tradicionais” antes de aceitar o convite, João sempre viu os jogos com bons olhos.

“Fiquei muito animado com o convite da Vivo Keyd. Eu já acompanhava um pouco o cenário dos esportes eletrônicos e sempre vi a necessidade de um trabalho psicológico dada as demandas de equilíbrio, foco, concentração e motivação. Tem sido uma experiência fantástica”, disse o psicólogo.

Com o fim do contrato com a organização e todo o aprendizado colhido no esporte eletrônico, o psicólogo recebeu o convite para fazer parte da MIBR no meio desse ano. Ao lado dos times de CS:GO e R6 da organização, cabe a ele, hoje, orientar os jogadores seja presencialmente ou remotamente.

Isso porque ele afirma que não está com os times em todas as oportunidades. À distância, Cozak afirma que conversa muito com o treinador, mas que também conversa individualmente com cada jogador. Apesar disso, revela que já esteve ao lado da equipe em competições como a ECS Season 8 Finals, que acontece em Dallas, e no StarLadder Berlin Major 2019.

“Presencialmente eu aproveito o tempo com os atletas para fazer o trabalho com a equipe utilizando instrumentos modernos que tem a capacidade de estimular a concentração deles. O neuro feedback é um aparelho que uso para aprimorar o foco, atenção e velocidade de reação”.

Por fim, João Cozak afirma que apesar da equipe ser composta por cinco jogadores há também o sexto player. Para ele, “é uma espécie da somatória das personalidades, perfil de cada um e potencialidade. O sexto player é a equipe, e é sobre ele que as demandas são centradas”.

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