PSL escolhe novo líder para substituir aliado de Eduardo Bolsonaro na Alesp

Guilherme Caetano
Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

O deputado Rodrigo Gambale foi eleito nesta terça-feira o novo líder da bancada do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Segundo os colegas, ele tem um perfil mais conciliatório do que seu antecessor, Gil Diniz, braço direito do deputado Eduardo Bolsonaro na Casa. A eleição de Gambale é visto como uma derrota para o grupo mais bolsonarista dentro da Casa.

O diretório nacional dissolveu em dezembro passado o diretório estadual presidido por Eduardo e, no lugar, nomeou o deputado federal Júnior Bozzella. Filiado à legenda antes mesmo de chegada dos Bolsonaro, ele é mais alinhado ao presidente da sigla, Luciano Bivar, conhecido desafeto do clã Bolsonaro.

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A bancada do PSL na Alesp, no entanto, não viveu uma ruptura total, como a ocorrida na Câmara dos Deputados. Gil Diniz e Douglas Garcia eram os nomes mais alinhados ao presidente Jair Bolsonaro na Casa, enquanto o restante dos colegas se mantiveram distantes da batalha deflagrada em Brasília. De perfil mais independente, Janaina Paschoal manteve o tom das críticas tanto ao governo federal quanto ao partido.

— Acredito que essa divisão na estadual não existe. Foi tentado plantar isso. Não houve nenhum tipo de lista, não houve nenhum tipo de política suja, ninguém tentou denegrir ninguém. A reunião (para escolha de liderança) foi bem conciliadora — declarou Gambale.

O novo líder afirmou não ter lado no racha do PSL e que nunca fez críticas a Bolsonaro. Disse que o presidente tem "tanto direito de errar quanto os outros presidentes, mas espero que ele acerte bem mais". Rodrigo Gambale reconheceu ter um perfil mais ameno do que Diniz, a quem definiu como "mais aguerrido". Ele afirmou, no entanto, que a liderança em 2020 terá uma postura semelhante à exercida pelo antecessor.

— Eu acredito que a gente vai ter uma linha muito semelhante, de diálogo, de conciliação, independentemente da postura que o Gil tenha tomado em relação ao próprio mandato. Ele é uma pessoa que nunca fez nenhum tipo de pressão, e isso é elogiável.

Gambale disse que vai tentar manter o PSL estadual unido, mas sem forçar os colegas a votarem contrariamente às suas convicções.

Enquanto esteve na liderança, Gil Diniz não costumava "fechar questão", isto é, fazer com que a bancada chegasse a um consenso, contra ou a favor, sobre qualquer votação no plenário, posicionando-se de acordo com a determinação do líder. A estratégia é comum no Legislativo, mas Diniz preferiu não fazer uso dela. A exceção foi quando os pesselistas tentaram eleger Janaina Paschoal a presidente da Alesp. Fecharam questão pelo voto em Janaina, mas acabaram derrotados, e Cauê Macris (PSDB) foi eleito.

Essa liberdade, contudo, já foi motivo de troca de farpas públicas. Em novembro, Janaina Paschoal interrompeu um discurso de Gil Diniz na tribuna para acusá-lo de desrespeitar a bancada e votar em alinhamento ao PT. Diniz reagiu: "Quer ser líder, pega o voto da bancada e venha ser líder".