PSOL aciona Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara por declarações sobre China

Naira Trindade
O deputado federal Eduardo Bolsonaro.

BRASÍLIA - Filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a ser alvo de representação no Conselho de Ética na Câmara. O deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ) entrou nesta quinta-feira com pedido de abertura de processo ético-disciplinar, por quebra de decoro parlamentar, devido às declarações de Eduardo responsabilizando a China pela pandemia do novo coronavírus. "Diante desses fatos e da grave crise social e econômica que os brasileiros vão enfrentar, o discurso do filho do presidente é irresponsável, prejudique os interesses nacionais e perigam agravar turbulência pela qual o país está passando", escreveu Marcelo Freixo, na representação.

Eduardo Bolsonaro é alvo de três representações no colegiado e já há movimentações para puni-lo em pelo menos uma delas. No fim do mês passado, integrantes do colegiado, em condição de anonimato, afirmaram que uma sanção ao deputado — ainda que leve — seria uma importante resposta do Congresso ao discurso de radicalização dos Bolsonaro contra o Congresso. A reprimenda ao filho do presidente deve ser dada no bojo dos casos que tratam das declarações do deputado sobre um novo AI-5.

Nesta quarta-feira, Eduardo postou no Twitter declaração responsabilizando a China pela pandemia do novo coronavírus. A declaração teve reação imediata do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming. No Twitter, ele manifestou veemente repúdio a fala do deputado, chegando a dizer que o filho do presidente Jair Bolsonaro "contraiu um vírus mental" em Miami.

“A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e a Câmara dos Deputados”, disse Yang no Twitter.

Na mesma linha, a conta oficial da Embaixada da China disse que as palavras de Eduardo “são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos.”

Coube ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o primeiro pedido de desculpas pela postagem de Eduardo.

“Em nome da Câmara dos Deputados, peço desculpas à China e ao embaixador @WanmingYang pelas palavras irrefletidas do Deputado Eduardo Bolsonaro", escreveu Maia. "A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes".