PT adia convenção no Rio, expõe crise com PSB e coloca em risco apoio a Freixo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido dos Trabalhadores cancelou a convenção em que aprovaria apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao Palácio Guanabara em meio a uma queda de braço com o PSB do Rio de Janeiro.

A convenção do PT do Rio estava prevista para segunda-feira (25). Reunida nesta quinta (21), a executiva nacional do partido decidiu adiá-la até sua nova sessão, na próxima semana.

Contrariando reivindicação petista, o PSB do Rio oficializou nesta semana o lançamento da candidatura do deputado Alessandro Molon para a vaga ao Senado. Molon preside o diretório do estado.

O diretório estadual petista avalia que o PSB descumpriu acordo segundo o qual o PT apoiaria Freixo e, em troca, indicaria o candidato ao Senado.

Com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o nome indicado pelo PT é o do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), André Ceciliano. Sem um acordo, petistas ameaçam romper com Freixo. O tema será discutido na reunião da executiva nacional do PT.

Ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá, um dos vice-presidentes do PT e uma das lideranças mais vocais contra a manutenção de duas candidaturas ao Senado, afirma que "o acordo foi descaradamente descumprido".

Ele diz que, na sua opinião, o PT deve deixar de apoiar Freixo. "Não tem por que a gente permanecer fazendo o apoio ao Freixo se eles não cumpriram o acordo para o Senado", diz.

O dirigente também afirma que a chapa Freixo-Molon não só é ruim para Lula, por restringir a área de ampliação no estado, como "ajuda o Bolsonaro". "Porque ela traz os temas de comportamento ao centro do debate e não discute o que é essencial, que é a vida do povo, a miséria, a fome, a falta de emprego, o preço da gasolina", diz.

Quaquá afirma haver várias alternativas para o PT no estado. Ele diz que a legenda pode lançar Ceciliano como único candidato majoritário "e o Lula transita por mais chapas" ou propõe até mesmo que Ceciliano ocupe a vaga ao Senado na chapa de Rodrigo Neves (PDT) e Felipe Santa Cruz (PSD), apoiada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

Segundo o petista, há uma negociação nesse sentido.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, de acordo com dirigentes do PT, o Rio de Janeiro se tornou uma das fontes de preocupação da campanha à Presidência.

Foi detectada uma reação do presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado, que é seu domicílio eleitoral. Na avaliação de petistas, o impulso do atual mandatário deve ser detido no intuito de evitar o segundo turno.

"São 10 milhões de eleitores, [o Rio] é um estado central. Um erro de estreitamento da campanha do Lula no Rio pode significar a vitória ou não no primeiro turno", diz Quaquá.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que a aliança do PT no Rio de Janeiro é com o PSB, mas os petistas querem ter uma "discussão séria" com a legenda sobre a composição da chapa.

"Tínhamos um acordo lá para indicar a candidatura ao Senado, e isso daria força a essa chapa, condições, musculatura. Então queremos fazer uma discussão séria com o PSB a esse respeito. E temos esta semana para fazer", diz.

Ao ser questionada sobre qual seria a reação do PT caso o PSB não cedesse, Gleisi afirmou que não trabalha com possibilidades, mas com discussões. "Eu não trabalho com o 'e se'. Eu primeiro converso para depois saber o que nós vamos fazer", afirmou.

Após as declarações dos dirigentes petistas, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, escreveu nas redes sociais que a legenda "tem os melhores quadros" para o Rio de Janeiro com as candidaturas de Freixo ao governo e de Molon ao Senado. "Juntos vamos vencer o bolsonarismo e fazer história", afirmou.

O PSB do Rio divulgou nota na qual afirma que o diretório está empenhado em "conquistar larga vantagem" para Lula e que o melhor caminho para isso é eleger Freixo e Molon, "derrotando os aliados de Bolsonaro no nosso estado, como todas as pesquisas, sem exceção, mostram".

O diretório diz ainda que decidiu "por unanimidade e em caráter definitivo e irrevogável" a candidatura de Freixo e Molon e que continuará dialogando com os partidos que "têm compromisso com a democracia".

"Respeitaremos a decisão de outros partidos que desejem coligar-se conosco apenas para o governo do estado, e que desejem lançar seu(s) candidato(s) ao Senado, da mesma forma que decidimos lançar o nosso, como permite a legislação em vigor", diz o texto.

No começo do mês, Lula esteve no Rio de Janeiro e participou de ato ao lado de Freixo —ele ignorou a disputa ao Senado entre as legendas.

No evento, marcado por ataques indiretos nos discursos entre os dois pré-candidatos, Ceciliano teve espaço privilegiado no palanque, enquanto Molon falou ao público antes da chegada de Lula e não ficou no palco após a chegada do ex-presidente.

Nesta sexta (22), o PSDB deve anunciar o ex-prefeito Cesar Maia como candidato a vice-governador na chapa de Freixo.

Outro tema que deverá ser discutido pela executiva nacional do PT na semana que vem é a situação do Rio Grande do Sul.

Durante a reunião desta quinta, a deputada federal Maria do Rosário (RS) teve um debate acalorado com o secretário-geral do PT, deputado federal Paulo Teixeira (SP), sobre o palanque de Lula.

Ele defendeu a necessidade de uma aliança ampla em favor do ex-presidente, o que poderia exigir a retirada de candidatura própria no estado.

Segundo participantes, Rosário protestou. E, subindo o tom, rechaçou interferências na decisão estadual de lançar o deputado Edegar Pretto na disputa ao governo gaúcho. PSB e PSOL também têm pré-candidatos.

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