PT apoia Baleia Rossi, mas quer que pedidos de impeachment contra Bolsonaro sejam apreciados

Bruno Góes e Natália Portinari
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Foto: Divulgação

Considerados o fiel da balança na eleição para a presidência da Câmara, os partidos de oposição, com exceção do PSOL, anunciaram ontem o apoio à candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Em carta, PT, PCdoB, PSB, PDT e Rede afirmaram que o objetivo é derrotar o presidente Jair Bolsonaro, que apoia a candidatura de Arthur Lira (PP-AL), “e sua pretensão de controlar o Congresso”.

A adesão ao bloco de Baleia Rossi, costurada desde o ano passado, amplia a vantagem, no papel do grupo do emedebista. O bloco soma agora 11 partidos, com 273 deputados, de acordo com a configuração partidária atual da Câmara. O bloco de Lira tem 195 parlamentares, mas, como o voto é secreto, há espaço para “traições” no dia da eleição. Para se eleger presidente da Câmara é necessário obter maioria absoluta, ou seja, 257 votos.

Na reunião, os petistas defenderam o lançamento de um programa com propostas para a Câmara nos próximos dois anos, como combater políticas de Bolsonaro e apreciar pedidos de impeachment que estejam fundamentados em indícios de crimes de responsabilidade.

No documento divulgado após o acordo, as siglas de esquerda enumeram cinco compromissos assumidos por Rossi, como a “proteção à democracia” e a “independência do Legislativo”, com a garantia de instrumentos de ação e fiscalização da oposição, além do respeito à soberania do país e a proteção de minorias.

Os parlamentares de esquerda criticaram, na carta, a atuação de Bolsonaro no enfrentamento do novo coronavírus, qualificando o governo como “insensível ao sofrimento do povo, irresponsável diante da pandemia e chefiado por um presidente da República que ao longo de sua trajetória sempre se colocou contra a democracia.

No PT, 27 a 23

Em uma rede social, Rossi destacou, no manifesto, como “ponto fundamental”, o acesso universal à vacina. “A imunização gratuita tem que ser pra todos, principalmente pra quem depende da saúde pública. Só assim vamos vencer o corona. A Câmara tem que trabalhar para viabilizar isso o quanto antes”, escreve ele.

Lira tem ironizado a postura de independência assumida por Rossi, afirmando que ele e outros deputados do MDB possuem cargos no governo. O líder do PP também ressalta que o partido de seu adversário ocupa as lideranças do governo no Senado e no Congresso.

Detentor da maior bancada da Câmara, o PT foi o primeiro partido de esquerda ontem a decidir pelo alinhamento ao bloco do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em reunião que durou mais de duas horas, os deputados bateram o martelo por 27 votos a 23. Eles descartaram assim a possibilidade de lançar candidatura própria nas eleições que acontecerão em fevereiro. Esse caminho foi cogitado por parte da bancada no início das negociações.

A aliança foi saudada por Rossi. “A #FrenteAmpla ficou ainda maior. O PT anunciou apoio à nossa candidatura. É um grande dia para quem defende uma Câmara livre e independente. Somos 11 partidos diferentes. Divergimos em muitos assuntos. Mas estamos juntos na defesa de uma democracia viva e forte!”, escreveu ele, em uma rede social.

Programa

Inicialmente o PT resistiu a apoiar a candidatura do emedebista porque ele apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Logo após o anúncio da bancada petista, PSB, PCdoB, PDT e Rede formalizaram, em ato com a participação do PT, o apoio a Rossi. Após uma reunião por videoconferência, as siglas tornaram pública a união para a disputa. Partido de esquerda com dez deputados, o PSOL ainda discute internamente se adere ao nome de Baleia Rossi ou se lançará candidatura própria.

A ideia do PT é mostrar que o apoio a Rossi não significa abrir mão de bandeiras de esquerda. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR), estava entre os 27 deputados que votaram a favor de apoiar o emedebista já no primeiro turno.

Com a decisão, o bloco de Rossi e de Maia pretende consolidar a participação de 11 partidos. O atual número de 273 deputados pode variar até a eleição devido a licenças e renúncias de parlamentares para assumir outros cargos e mandatos, por exemplo. Além dos partidos de esquerda, integram o grupo DEM, MDB, PSDB, PSL, Cidadania e PV.

Já Arthur Lira conseguiu formar um bloco com PP, PL, PSD, Republicanos, Avante, Patriota, Solidariedade, Pros e PSC. Essas legendas reuniam ontem 195 integrantes. Ele ainda negocia com PTB e Podemos.