PT aposta em voto útil para neutralizar efeitos da ampliação do Auxílio Brasil

O Partido dos Trabalhadores teme que a ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 impeça a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições. Segundo cálculos de integrantes do núcleo duro da campanha, Lula precisaria crescer três pontos percentuais nas pesquisas para conseguir liquidar a disputa já em 2 de outubro.

Não vai ser uma tarefa fácil. “Não sabemos o tamanho do efeito dessa PEC das Bondades e desses benefícios, mas certamente algum efeito terá”, admite reservadamente um interlocutor de Lula. “Uma coisa é ouvir a notícia da ampliação do benefício, outra coisa é botar o dinheiro no bolso.”

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A expectativa dentro do partido é que o efeito do aumento do Auxílio Brasil possa ser compensado por outro movimento: uma eventual migração de eleitores de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) para a candidatura de Lula, na reta final do primeiro turno, o que poderia impedir que a disputa se arrastasse por mais quatro semanas, até o fim de outubro.

Esses eleitores não morrem de amores pelo PT, mas estariam dispostos a abraçar antecipadamente o nome de Lula para derrotar o bolsonarismo o quanto antes – e evitar o recrudescimento dos ataques do presidente às urnas eletrônicas e às instituições se a disputa for prolongada.

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Integrantes da campanha de Lula avaliam que o aumento do Auxílio Brasil deve provocar mais impacto não entre aquelas pessoas que já recebem o benefício, mas entre aqueles que atualmente estão na fila do programa, não ganham nada e passariam a ser contemplados com a medida.

“Para quem recebe R$ 400 e vai passar a ganhar R$ 600, o auxílio continua pouco, corroído pela inflação. Para quem não ganha nada hoje, aí sim vai ter impacto”, aponta um integrante do núcleo duro da campanha lulista.

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Esse universo de pessoas representaria cerca de 1,5 milhão de famílias, nos cálculos petistas. O ex-presidente da República possui larga vantagem sobre Bolsonaro entre os eleitores mais pobres e na região Nordeste, onde se concentram milhões de beneficiários do auxílio.

O Palácio do Planalto, por sua vez, conta com a ampliação do valor do Auxílio Brasil e a substituição dos cartões dos beneficiários do programa para angariar votos em camadas do eleitorado que rejeitam a figura de Bolsonaro.

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Levantamentos internos da campanha de Bolsonaro apontam que o programa ainda está associado à marca Bolsa Família e aos governos do PT, o que dificulta o presidente de capitalizar politicamente a medida. Isso porque milhares de usuários ainda usam o cartão do Bolsa Família para fazer os saques do Auxílio Brasil.

“Hoje seria difícil apostar na vitória de Lula no primeiro turno, ainda mais quando não sabemos os efeitos desses novos bilhões de reais que serão usados a partir de agora na ‘compra de votos’”, avalia o professor de estatística Paulo Guimarães, da Unicamp.

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