PT representa contra Bolsonaro e Ernesto Araújo na PGR por acordo de Itaipu

A ação apresentada à PGR pede que sejam investigadas supostas irregularidades no acordo da hidrelétrica Itaipu Binacional. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

O Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com uma nova representação contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL) na tarde desta terça-feira (6). A ação apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que a PGR investigue irregularidades na renegociação de um acordo da hidrelétrica Itaipu Binacional.

Segundo o documento assinado pelos líderes do partido, a negociação envolveu uma empresa ligada à família de Bolsonaro e sediada em São Paulo, a Léros Comercializadora. A representação, além de Bolsonaro, também pede investigação contra o ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo, e o diretor-geral brasileiro da hidrelétrica binacional, o general Joaquim Silva e Luna.

No pedido à PGR, o PT pede que sejam investigadas as responsabilidades administrativa, civil e penal de Bolsonaro, Araújo e Silva e Luna. A sigla também pede que a empresa supostamente ligada à família Bolsonaro seja investigada.

Os petistas se apoiam em diálogos revelados por um veículo de comunicação paraguaio, NPY Oficial, de que um advogado que se apresentava como assessor jurídico do vice-presidente do Paraguai, Hugo Velázquez, participou de negociações entre a empresa e a estatal paraguaia Ande.

O PT pede que Bolsonaro, o ministro das Relações Exteriores e o diretor brasileiro de Itaipu sejam investigados por possível violação do princípio de impessoalidade e moralidade da Constituição, improbidade administrativa, corrupção ativa e corrupção passiva. O documento, datado de ontem (segunda, 5) e encaminhado à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, tem assinatura de toda a bancada do PT na Câmara.

Crise binacional

Um acordo sobre a compra de energia gerada pela hidrelétrica, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, foi gatilho de um pedido de impeachment do país vizinho, Mario Abdo Benitez. A ata diplomática assinada entre os dois países foi rescindida após o governo brasileiro aceitar que o acordo fosse cancelado e o impeachment de Mario Abdo tinha perdido força na última semana.

Na tarde de hoje, a oposição paraguaia voltou a protocolar um pedido de impeachment contra Benítez e seu vice, Hugo Velázquez, após o jornal paraguaio ABC Color revelar conversas sigilosas que indicam que o governo paraguaio sabia que o acordo contrariava os interesses do país.

De acordo com a reportagem do jornal, o governo brasileiro pressionou os vizinhos para que o acordo fosse aceito. A previsão era de que o Paraguai contratasse energia gerada por Itaipu que aumentariam em pelo menos US$ 200 milhões os gastos anuais do país vizinho.

o governo paraguaio passaria a declarar gradualmente, até 2022, uma contratação maior da energia dita "garantida" de Itaipu, mais cara, deixando de contar com a chamada "energia excedente", bem mais barata.De acordo com técnicos paraguaios, os gastos do país aumentariam em ao menos US$ 200 milhões anuais.