PT decide compor com Maia e indicará pré-candidato para presidência da Câmara

Paulo Cappelli
·2 minuto de leitura
Câmara dos Deputados

BRASÍLIA - Maior partido da Câmara dos Deputados, com 54 deputados, o PT decidiu nesta sexta-feira compor com o bloco do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já contava com seis partidos no seu arco de alianças. O PT, contudo, pontuou que, para participar do bloco, indicará um pré-candidato para disputar a preferência com Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP), os dois nomes já cogitados por Maia. PSB, PDT e PCdoB, que ontem já haviam sinalizado apoio a Maia, também aderiram oficialmente nesta sexta ao bloco do presidente da Câmara.

Presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann informou ao GLOBO que já há duas candidaturas de oposição aventadas, mas que a decisão sairá após consenso das legendas de esquerda:

— Tem alguns nomes colocados como Benedita da Silva (PT-RJ) e Lídice da Mata (PSB-BA). Ainda vamos fazer essa discussão. Não temos, por nossa parte, nenhuma imposição de nome e tampouco de veto. Nós queremos construir com os partidos de oposição — disse Gleisi.

O PT se juntou a PCdoB, PSB e PDT, que, informalmente, já haviam defendido a composição com Maia. A Rede, que conta com um deputado, também participou do anúncio oficial de adesão, nesta sexta-feira. Agora, o bloco de Maia passa a ter oficialmente onze partidos e 281 deputados, contra 9 partidos e 193 deputados do bloco de Arthur Lira.

— O PT vai participar do bloco. Vamos apresentar um programa do que consideramos importante e também vamos apresentar um nome para disputar internamente no bloco qual o mais viável para dirigir a Câmara nos próximos dois anos — afirmou o deputado Enio Verri (PT-PR), líder do partido na Câmara.

Em discurso, Gleisi Hoffmann afirmou "que tem muitas diferenças" com Maia na parte econômica, mas disse que ambos atuam pela "defesa da democracia". A frase mirou a candidatura de Lira, preferido de Bolsonaro, adversário político de Gleisi e Maia.

— Se Ulisses Guimarães estivesse aqui, talvez repetiria em alto e bom som: 'Eu tenho ódio e nojo das ditaduras' — disse Maia.

Arranjos partidários, no entanto, não representam fielmente o que será o resultado das urnas em fevereiro, pois, como o voto é secreto, dissidências são esperadas. Nesta sexta, metade da bancada do PSB, por exemplo, apresentou uma carta defendendo o apoio a Lira.