PT e PSB mantêm divergências e adiam reunião sobre alianças nos estados

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***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 08.04.2022 - O ex-presidente Lula, o ex-governador Geraldo Alckmin, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o presidente do PSB, Carlos Siqueira. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 08.04.2022 - O ex-presidente Lula, o ex-governador Geraldo Alckmin, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o presidente do PSB, Carlos Siqueira. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem acordo para montagem de palanques nos estados, PT e PSB adiaram para a próxima semana uma reunião que definiria as chapas da coligação. Há divergências em ao menos sete estados, sendo São Paulo um deles.

No último dia 31, os presidentes dos partidos, ao lado do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que será seu vice na chapa, haviam fixado o prazo desta quarta-feira (15) como data-limite para resolver os entraves.

Além de São Paulo, há percalços nas chapas no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, em Santa Catarina e na Paraíba.

A presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), reconheceu que o impasse persiste nos estados e que, em decorrência da Covid e da agenda de viagem do ex-presidente, era preciso adiar o encontro.

Gleisi também não descartou a possibilidade de o PT intervir onde for necessário para chegar a um acordo. "Com a Covid-19 e as viagens, o ex-presidente Lula não poderia participar da reunião. E, obviamente, ele tem um papel importante nas articulações", disse.

O PSB convocou para a próxima segunda-feira (20) uma reunião com seus pré-candidatos aos governos estaduais em busca de uma solução.

"Até o momento não há novidade alguma, lamentavelmente", afirmou o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

A disputa em São Paulo é uma das mais delicadas. Enquanto o PT defende a candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad e diz que não irá retirar esse nome da disputa, o ex-governador Márcio França, do PSB, tem dado sinais de que também não irá desistir.

Gleisi, no entanto, se diz otimista com a possibilidade de um acordo, pelo qual França abriria mão em favor de Haddad.

No domingo (12), o ex-governador compartilhou nas redes sociais resultados de uma pesquisa de intenção de voto e escreveu que "foguete não tem ré", indicando que pretende manter seu nome na disputa.

Um interlocutor de França afirma que ele só deverá tomar uma decisão no fim deste mês —e que tentará ganhar tempo para viabilizar a candidatura. Segundo esse interlocutor, o ex-governador está tentando atrair partidos para apoiá-lo.

Para dirigentes do PT e PSB, um desfecho em São Paulo é fundamental para a costura de acordos estaduais. A partir dele, seria possível negociar em outros estados.

A expectativa é que o próprio Lula atue como árbitro onde há impossibilidade de acordo local.

Na semana que vem, Lula deverá se reunir com os pré-candidatos ao governo de Santa Catarina, Dário Berger (PSB) e Décio Lima (PT).

O presidente estadual do PSB, Cláudio Vignatti, conta que Alckmin também tem atuado para dirimir essa disputa regional. "Em Santa Catarina, a unidade é importante para a chapa Lula-Alckmin", diz ele.

Pré-candidato, o presidente estadual do PT, Décio Lima, tem se apresentado como o candidato capaz de defender o legado e o nome de Lula no estado.

No Rio de Janeiro, a disputa se dá em torno do candidato ao Senado. O PSB quer lançar o deputado Alessandro Molon. Já o PT pleiteia a candidatura do presidente da Assembleia, André Ceciliano.

Na segunda (13), o diretório estadual do PT no Rio divulgou resolução em que reitera o apoio ao nome de Ceciliano como candidatura única, "respeitando os acordos que foram feitos entre as direções nacionais do PT e PSB".

Ceciliano afirma ao jornal Folha de S.Paulo que o PT estadual "nunca esteve tão unido", que a legenda quer que o PSB cumpra o seu compromisso e que acredita que as duas siglas irão "chegar a um bom termo".

"O PSB indica o governador, e o PT o senador. Não tem mais nada. O PT não irá retirar a candidatura e não é possível ter dois candidatos ao Senado numa aliança. Formalmente, não dá para ter uma coligação", diz.

Defensores do nome de Molon afirmam que ele figura melhor que Ceciliano nas pesquisas de intenção de voto e que ele teria mais chances de "derrotar o bolsonarismo" no Rio.

No Espírito Santo, o PT ameaça lançar o senador Fabiano Contarato ao governo do estado, caso o atual mandatário, Renato Casagrande (PSB), não abrace a candidatura de Lula —ele já afirmou que não dará palanque exclusivo ao petista no estado.

Contarato diz que aguarda decisão da direção nacional e a costura das alianças nos estados para saber se mantém sua pré-candidatura.

"Ela está posta, a militância está aguerrida, eu estou animado e o PT do Espírito Santo está animado. Vai depender dessa costura nacional. Ficamos esperando o desfecho disso", diz.

A expectativa entre pessebistas é que os casos de Espírito Santo e Rio Grande do Sul sejam resolvidos na semana que vem. O PSB deve exigir que o PT deixe de lançar Contarato.

No Rio Grande do Sul, onde existe uma rivalidade histórica entre PT e PSB, Lula deverá ser chamado a intervir.

O ex-deputado Beto Albuquerque (PSB) tem afirmado que sua trajetória política e pessoal o credencia como pré-candidato com maior chance de ampliar o palanque de Lula.

Já o petista Edegar Pretto, que encabeça uma aliança com PC do B e PV, afirma que sua candidatura é a mais identificada com Lula no estado. "Vamos fazer muito esforço para construir a chapa mais ampla possível", diz Pretto.

Beto Albuquerque tem, no entanto, conversado com o PDT, de Ciro Gomes, para viabilizar sua candidatura.

Por mais que o gaúcho articule fazer uma composição com o PDT no estado, dirigentes pessebistas afirmam que a hipótese é difícil. Isso porque o PSB só aceita dar palanque à chapa Lula-Alckmin e, os pedetistas exigem em troca o apoio de Albuquerque a Ciro.

A tendência é que o comando do PSB peça para que Beto Albuquerque retire sua candidatura.

Em Pernambuco, dirigentes de PSB e PT dizem que o palanque está resolvido, com Danilo Cabral (PSB-PE) como candidato ao governo e a deputada estadual Teresa Leitão (PT-PE) como candidata ao Senado.

Ainda não há resolução sobre a vice de Danilo. Mas pessebistas afirmam que o palanque está azeitado com a candidatura de Tereza ao Senado.

​Na Paraíba, o PSB espera que o comando petista intervenha em prol da reeleição do governador João Azevêdo. No entanto, o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) tem atuado em benefício da candidatura do MDB.