PT irá representar autoridades que combinaram a manutenção da prisão de Lula em plantão judicial

PT irá representar autoridades que combinaram a manutenção da prisão de Lula em plantão judicial

Imagem: Ricardo Stuckert

Em discurso proferido na última segunda-feira, dia 13, na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, líder da bancada petista, classificou como “estarrecedores” os fatos narrados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, em entrevista no último domingo para o jornal O Estado de S.Paulo.

Pimenta anunciou ainda que a bancada petista deverá entrar com representações contra o juiz Sergio Moro; a procuradora-geral da República, Raquel Dodge; o presidente do TRF-4, Thompson Flores; e o desembargador Gebran Neto que, em sua fala, classificou como membros de uma “quadrilha togada”.

 

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Em entrevista ao Estado, o diretor-geral da Polícia Federal narrou os acontecimentos do último dia 8 de julho, quando o desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal (TRF-4), Rogério Favreto, determinou, por meio de um habeas corpus, a soltura imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Paulo Pimenta, Galloro faz, em sua entrevista, “uma confissão detalhada de um crime, e tipifica detalhadamente a conduta de cada um dos criminosos que atuou nesse consórcio”.

“Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista”, conta o diretor-geral da PF. “Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’”. Galloro conta, no entanto, que recebeu, em seguida, uma ligação da procuradora-geral da república, raquel Dodge, dizendo que iria protocolar no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) contra a soltura. “Depois foi o Thompson (Flores, presidente do TRF-4) quem nos ligou. ‘determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema”.

 

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“Desde quando que um delegado da Polícia Federal, diante de uma ordem judicial, resolve fazer consultas para decidir se deveria cumprir ou não?”, questionou o deputado petista, que também colocou em xeque a atuação da procuradora-geral Raquel Dodge no caso: “Desde quando o ministério público tem, entre as suas atribuições, ligar para um delegado para pedir que uma ordem judicial não fosse cumprida?”

A entrevista de Galloro foi, para Pimenta, uma “confissão pública de um crime cometido por altas autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público Federal”. Ele ressalta que os novos fatos trazidos à tona escancaram, ainda mais, o cunho político da Operação Lava Jato: “Muito longe dos objetivos que a operação possa ter tido de combater a corrupção, ela hoje tem fundamentalmente o objetivo de natureza política que é impedir que o povo brasileiro possa votar no presidente Lula. Agora a pergunta que não quer calar: quem vai investigar essa quadrilha de togados?”.