PT lança Benedita da Silva para disputar a Prefeitura do Rio

João Paulo Saconi/
A ex-governadora do Rio Benedita da Silva

O Partido dos Trabalhadores (PT) escalou a deputada federal Benedita da Silva, de 78 anos, para liderar a chapa do partido na eleição municipal do Rio de Janeiro este ano. A parlamentar já havia aceitado figurar como candidata à vice-prefeita junto com Marcelo Freixo, do PSOL, que desistiu do pleito no mês passado diante da resistência à formação de uma coalização de partidos de esquerda contra a reeleição do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Diante do movimento de Freixo, Benedita ainda busca a formação de uma aliança, mas já foi convencida por aliados a concorrer pelo cargo.

— Nós temos que mudar essa cidade e só vamos fazer isso juntos. Estávamos prontos para fechar com o Freixo, que desistiu. Estávamos trabalhando a unidade da oposição. Não é possível que a gente vai deixar que o Bolsonaro nade de braçada na cidade do Rio de Janeiro — afirma Benedita, em referência a uma possível vitória de Crivella após um eventual apoio do presidente Jair Bolsonaro, cogitado nos bastidores.

Benedita diz ainda que o PSOL cometeu um erro ao deixar que Freixo, seu colega na Câmara dos Deputados, se afastasse da disputa. Ainda não havia consenso em relação a ele entre as fileiras da sigla.

— Cometeremos um grande equívoco se a oposição não construir uma caminhada contra o Bolsonaro. A gente resolve 2022 lá na frente. Ainda tenho esperança (de uma coalização). Todos os partidos têm o direito de lançar suas candidaturas. Ninguém vai poder dizer que o PT não quis compor — diz Benedita, buscando afastar a percepção de que o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é resistente a alianças nas quais não apareça como líder.

Vice pode vir do PSOL

Enquanto Benedita começa a dialogar com a esquerda carioca, despontam nos bastidores nomes do PSOL como possíveis companheiros de chapa para a ex-governadora, cuja trajetória política inclui ainda atuações como senadora e vereadora. Ela admite já ter ouvido informalmente sobre a possibilidade de o PSOL oferecer uma composição com a deputada estadual Mônica Francisco ou com o pastor evangélico Henrique Vieira, mas sustenta que o cenário ainda é indefinido em torno da candidatura.

— Vou procurar as forças do Rio e retomar as conversas com partidos para buscarmos um projeto comum e viável para a cidade. (Precisamos) Olhar para os retrocessos do governo Crivella — defende a deputada, completando: — Vamos encontrar uma cidade caótica após a pandemia.