PT, PDT, PSB e PCdoB formalizam veto a candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara e se aproximam de Maia

Paulo Cappelli
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Foto: Câmara dos Deputados

Após reunião de quase três horas nesta quinta-feira, presidentes nacionais e líderes das bancadas de PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL formalizaram o veto ao candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro para o comando da Câmara dos Deputados. O movimento começou a ser articulado nesta terça-feira e tem objetivo de combater a candidatura de Arthur Lira (PP-AL), apoiada pelo Planalto, e de qualquer outro nome que surja no pleito e seja vinculado a Bolsonaro. Lira tem lançando uma ofensiva sobre parlamentares de esquerda.

No encontro, dirigentes, líderes e deputados de PDT, PSB e PCdoB tentaram convencer o PT e o PSOL a integrarem o bloco de centro de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que hoje conta com seis partidos e dois pré-candidatos. Horas antes, o PT se mostrou favorável ao lançamento de uma candidatura de esquerda, mas revelou-se aberto a integrar o bloco de Maia durante a reunião. A legenda conta com a maior bancada da Casa, com 54 deputados. Há expectativa de que esse bloco com partidos de centro e de esquerda seja oficialmente anunciado amanhã.

O PSOL sinalizou que, se houver chance de Lira ganhar a eleição no primeiro turno, desistirá da candidatura própria e passará a integrar o bloco de Maia para tentar derrotar o candidato alinhado ao Planalto. O partido, no entanto, reforçou que esse movimento só será feito mais para frente, perto da eleição, que ocorrerá em fevereiro do ano que vem.

Representantes do PSB, do PDT e do PCdoB também tentaram convencer PT e PSOL a apoiarem o candidato que vier a ser indicado por Rodrigo Maia; seja Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ou Baleia Rossi (MDB-SP). A defesa mais enfática desse movimento foi feita por Alessandro Molon, líder do PSB, que argumentou que o endosso a um candidato de centro aumentaria as chances de vitória do bloco.

— Não há a menor chance de um candidato do nosso campo, de esquerda, vencer as eleições na Câmara com a atual composição do parlamento. Não faz sentido lançar candidato no primeiro turno torcendo para ele não ir para o segundo porque, se for, vai perder para o candidato Bolsonaro. Do lado de lá, no campo de Bolsonaro, há unidade. No campo contra ele, é preciso haver também. Nossa pulverização fortalece Bolsonaro — disse Molon, afirmando que há uma "corrida contra o tempo", pois Lira tem avançado nos acordos com legendas.

O GLOBO apurou que parte dos petistas se sensibilizou com o apelo, avaliando inclusive que a composição abriria espaço para um posto de destaque na mesa diretora. A presidente nacional do PT, no entanto, disse à reportagem que não descarta o lançamento de um candidato de esquerda, mesmo dentro do bloco de Maia. Gleisi Hoffmann lembrou que, com cerca de 130 deputados, o campo responderia por quase a metade do bloco.

— Achamos que realmente dá para ir para esse bloco de centro. Temos divergências na área econômica, mas temos convergência na defesa da democracia e em pautas como meio ambiente, por exemplo. Fechado o bloco, encerra-se a parte administrativa. E acredito que, a partir daí, temos o direito e a obrigação de apresentar um nome do campo de esquerda para ser avaliado. Afinal, o bloco não tem nem candidato ainda — disse Gleisi.

Segundo ela, o PT deverá se reunir nas próximas horas para definir a ida para o bloco de Maia. A dirigente preferiu, no entanto, não cravar que o anúncio será feito amanhã, como querem PDT, PSB e PCdoB.

— A bancada do PT é grande. São 54 deputados. Se for possível anunciar amanhã, ok. Se não for, sem problemas. Temos que respeitar o nosso tempo.