PT pressiona mas Jilmar Tatto se mantém na disputa pela prefeitura de São Paulo

Sergio Roxo
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Agência O Globo
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SÃO PAULO - Apesar das pressões da direção do PT, Jilmar Tatto decidiu se manter na disputa pela prefeitura de São Paulo. O ex-presidente Lula e outras lideranças da sigla esperavam que ele declarasse apoio a Guilherme Boulos (PSOL), que tem mais chance de ir ao segundo turno de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

O assunto foi discutido na noite de terça-feira em uma reunião entre Tatto, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o presidente do partido em São Paulo, Luiz Marinho. O candidato petista, porém, refutou a ideia.

Na manhã desta quarta-feira, em um debate com o candidato Orlando Silva (PCdoB), Tatto negou a possibilidade de desistir da disputa.

— Eu estou na rua todos os dias e o perfil do meu eleitor é mais popular, que também é o perfil do Orlando, mas não é o perfil do Boulos, que é mais escolarizado. Essa campanha para Tatto retirar candidatura interessa apenas ao Bruno Covas. Eles querem repetir o (João) Doria (eleito em 2016 no primeiro turno).

O petista confirmou a reunião, mas chamou de "conversa fiada" a possibilidade de desistir.

— Ontem, fiz uma reunião com Marinho, candidato em SBC e presidente do PT estadual, e com a Gleisi. Marcamos agenda de campanha, tivemos uma conversa muito boa sobre São Bernardo, Diadema, Guarulhos. Enfim, conversa de dirigentes e, de repente, sai essa conversa fiada que, como disse, só ajuda o Covas.

O GLOBO confirmou com três lideranças da legenda que a possibilidade de apoio a Boulos foi tratada na reunião da noite de terça-feira.

Em postagem no Twitter, Gleisi não falou da possibilidade de desistência de Tatto, mas reafirmou a candidatura do petista em São Paulo: "Ontem estive conversando sim com Jilmar Tatto e Luiz Marinho, o que tenho feito em todos os Estados, avaliando a situação eleitoral das capitais. A campanha segue firme nesta reta final."

As conversas sobre a possibilidade de apoio a Boulos ganharam corpo no PT depois que um grupo de artistas e intelectuais divulgou na terça-feira uma manifesto em que pediam a união da esquerda em torno do candidato do PSOL em São Paulo e de Benedita da Silva (PT) no Rio.

Integrantes da campanha de Tatto se queixaram da divulgação do documento.

— Estamos pedindo para o PSOL interceder perante essas pessoas porque esse manifesto não contribui para a boa relação entre os dois partidos. E eles ainda propõem um caminho errado. Deveriam ir atrás do voto de indecisos para a esquerda, seja para o Tatto, seja para o Boulos — afirmou o deputado estadual José Américo, coordenador de comunicação da campanha de Tatto.