PT do Rio aprova resolução para tirar apoio a Freixo por insistência de Molon em concorrer ao Senado

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O diretório estadual do PT no Rio aprovou, nesta terça-feira, uma resolução de retirada do apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do estado. Segundo o presidente estadual da legenda, João Maurício de Freitas, diante da insistência do PSB em manter a candidatura de Alessandro Molon (PSB) ao Senado, não há mais motivo para o partido seguir na aliança. A decisão da Executiva estadual do PT será levada para o diretório nacional analisar.

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A decisão estadual ocorre em meio ao bombardeio para que Molon saia da disputa ao Senado em prol do petista André Ceciliano. Na última semana, ele ganhou o apoio do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, para seguir na corrida, compondo com Ceciliano duas postulações ao Congresso na chapa de Freixo ao governo do Rio.

— Não vemos sentido em fazer parte dessa aliança, já que o PSB quer ter uma posição hegemonista. Diante da intransigência do presidente Siqueira, que indicou apoio à candidatura a Molon, vamos seguir defendendo Ceciliano e vamos levar nossa decisão para a direção nacional do partido — disse João Maurício.

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Para aumentar a pressão sobre o PSB, uma ala do PT liderada pelo vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá, vai levar à votação da direção nacional a proposta de uma aliança formal em torno da candidatura de Rodrigo Neves (PDT). Composta por 21 membros e presidida pela deputada federal Gleisi Hoffmann, caberá à Executiva a palavra final sobre o imbróglio.

Um dos maiores críticos do palanque único do PT para Marcelo Freixo, Quaquá diz que a insistência de Alessandro Molon (PSB) em manter seu projeto de disputar o Senado abre a possibilidade da legenda retirar formalmente o apoio exclusivo ao pessebista, já que ele estaria descumprindo o acordo entre as legendas que garantia essa vaga a André Ceciliano (PT).

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Ele defende que a chapa do PT fluminense tenha como prioridade ampliar eleitoralmente a campanha de Lula, num arranjo que teria Eduardo Paes (PSD) — que já declarou apoio a Neves — como um dos articuladores centrais.

— Diante da negativa do PSB em cumprir o acordo sobre a vaga ao Senado, vou propor abrir a aliança para apoiar Neves, que daria a vaga ao Senado pro Ceciliano. É uma chapa que amplia muito mais o Lula pro eleitorado de centro no estado, do que a do Freixo — defende Quaquá.

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Porém, nos bastidores, um rompimento formal com Freixo é visto como improvável entre integrantes de PT, PSB e de lideranças da esquerda fluminense, diante do apoio público já declarado por Lula ao pessebista. O ex-presidente esteve no Rio em agendas públicas em março e julho, quando fez discursos exaltando o pessebista e defendendo a importância de sua eleição para o estado.

Lula já destacou por repetidas vezes sua gratidão com Freixo por conta do apoio que lhe foi prestado pelo parlamentar no período em que esteve preso. No mês passado, no ato na Cinelândia que consolidou sua dobradinha com o candidato do PSB, o ex-presidente não mencionou o impasse na disputa ao Senado.

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— Queria acabar com rumores. Será que Lula está apoiando o Freixo? Quando se trata de política, a gente tem que escolher com quem quer estar. No Rio eu tenho candidato a governador chamado Marcelo Freixo. Não tenho nada contra ninguém, mas é importante ficar claro para os eleitores que vão votar no Lula que é importante votar no Freixo — disse na ocasião o petista.

A briga expôs a divisão no partido. Freixo é um dos que lideram a pressão sobre Molon, em nome de um acordo que dá ao PT a vaga ao Senado. O ex-presidente Lula passou a se envolver diretamente na questão, procurando aliados no partido para trabalhar contra Molon. Em Pernambuco, estado-chave para o PSB e onde o apoio do PT e de Lula é crucial, o pré-candidato ao governo, Danilo Cabral, se juntou ao coro. Ele teme que uma insatisfação do PT com Molon ameace o apoio petista ao PSB em outros locais.

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Procurado, Freixo afirmou que segue convicto do apoio dos petistas.

— Tenho certeza de que estaremos com o PT nessa caminhada. Os diálogos e divergências internas existem, mas sigo convicto do apoio — disse Freixo.

Molon sob pressão

Na última semana, Molon ganhou o apoio do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, para seguir na disputa, compondo, com André Ceciliano (PT), duas postulações ao Congresso na chapa de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio. A briga expôs a divisão no partido. Freixo é um dos que lideram a pressão sobre Molon, em nome de um acordo que dá ao PT a vaga ao Senado.

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Já Márcio França, candidato do PSB ao Senado em São Paulo e primeiro-secretário de Finanças da legenda, chegou a defender, na convenção nacional do partido, que, se Molon não retirar seu nome, o partido asfixie financeiramente sua campanha. A voz mais influente da sigla, porém, discorda. Ao GLOBO, o presidente do PSB rebateu a hipótese levantada por França:

— Não trato ninguém com chantagem. Neste partido, as questões são resolvidas com diálogo e internamente. Não há possibilidade de eu fazer coro a este discurso (de asfixia financeira da candidatura) — afirmou.

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Em entrevista à CNN Brasil, Siqueira descartou uma intervenção do comando nacional no diretório do Rio de Janeiro, que, sob comando de Molon, formalizou sua candidatura há duas semanas. O presidente pessebista afirma não ter um pacto “incondicional” com os petistas:

— O PSB não aceitou entrar na federação com PT, PCdoB e PV por não aceitarmos abrir mão da sua autonomia, da possibilidade de escolhermos os nossos próprios candidatos. Nossas decisões são descentralizadas, cabem aos diretórios regionais. Apoiamos o PT em sete estados, enquanto eles nos apoiam em quatro — afirmou Siqueira.

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Sobre o caso do Rio especificamente, ele fez elogios a Molon e sugeriu que o PT parasse de pressionar contra a candidatura.

— No Rio, o problema é similar ao que existia em Minas (onde o PT já apoiava um candidato a governador do PSD, e concordou em retirar seu nome ao Senado para apoiar um nome também do PSD). Reivindicamos a mesma solução no Rio. Nossa convenção está feita, Molon está escolhido para o Senado. Se ele quiser, pode retirar a candidatura, mas não tenho o que fazer — disse ele, que enalteceu o Molon “como o melhor deputado do país”.

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Pelo estatuto do partido, a Executiva nacional não poderia intervir na decisão referendada pela convenção estadual. O texto prevê à direção nacional as decisões sobre repasses de verbas para candidaturas. Em 2018, porém, o comando nacional forçou o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda a retirar sua candidatura ao governo mineiro para apoiar Fernando Pimentel, do PT. A exigência fazia parte do acordo que selou o apoio petista à candidatura de Paulo Câmara (PSB) ao governo de Pernambuco. Na ocasião, o PT obrigou Marília Arraes a sair da disputa.

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