PT segue Lula, debela motim contra Freixo e coloca Molon para escanteio no Rio

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*** FOTO DE ARQUIVO *** RIO DE JANEIRO, RJ, 07-07-2022: Freixo com o ex-presidente Lula durante o evento 'Sempre Juntos Pelo Rio', na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** RIO DE JANEIRO, RJ, 07-07-2022: Freixo com o ex-presidente Lula durante o evento 'Sempre Juntos Pelo Rio', na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A cúpula do PT debelou, oficialmente, movimento do diretório fluminense pela retirada do apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao Governo do Rio de Janeiro.

Em reunião virtual na tarde desta sexta-feira (5), a executiva nacional do partido decidiu manter a aliança com o deputado federal, mesmo depois de o PSB lançar o nome de Alessandro Molon ao Senado.

O PT aprovou a chapa encabeçada por Freixo, tendo o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, ao Senado. Com a decisão, alega que o tempo de TV a que o PSB tem direito terá de ser destinado à campanha de Ceciliano, não a Molon.

Além de PT e PSB, a coligação reúne também as federações PSDB-Cidadania e PSOL-Rede.

A candidatura de Molon é apontada por petistas como afronta ao acordo pelo qual o PSB ocuparia a cabeça da chapa e o PT indicaria o candidato ao Senado -no caso, Ceciliano.

Em uma tentativa de dissuasão de Molon, o PT ameaçou romper com o PSB no estado. Mas, em reunião desta quinta-feira (4), colaboradores de Lula se manifestaram em apoio a Freixo -gesto interpretado como um recado do ex-presidente.

Com a capitulação do PT, a coligação que dará sustentação formal à campanha de Lula no Rio apresentará dois candidatos ao Senado: Molon e Ceciliano. Eles concorrerão contra o senador Romário (PL) e Clarissa Garotinho (União Brasil), entre outros.

Lula, por sua vez, deverá pedir votos apenas para Ceciliano, cuja candidatura defendeu nas negociações com o PSB. Segundo petistas, o ex-presidente chegou a cobrar do PSB apoio ao nome do presidente da Alerj.

Um dos argumentos do PT foi o apoio à candidatura do PSB ao Governo de Pernambuco, ainda que a, então petista, Marília Arraes fosse uma das favoritas da disputa. Tolhida pelo PT, Marília se filiou ao Solidariedade, partido pelo qual concorre ao governo do estado.

Hoje, com a manutenção da candidatura de Molon, petistas não descartam riscos de dissidências tanto no Rio como em Pernambuco.

Antes da reunião desta sexta, a executiva nacional se reuniu na quinta e, formalmente, decidiu adiar o posicionamento sobre o tema.

Mas houve sinais de que a maioria não concordava com o rompimento que foi proposto pelo PT-RJ após o presidente do PSB, Carlos Siqueira, indicar que não interviria para que Molon retirasse sua candidatura ao Senado.

Pesou na decisão a articulação que já dura mais de um ano entre Freixo e Lula para construção da candidatura. O deputado trocou o PSOL pelo PSB em acordo avalizado pelo ex-presidente visando a disputa do Palácio Guanabara. Em comício no mês passado, o petista fez declaração enfática em defesa do nome do aliado.

O partido também sofreu pressão nas redes sociais de apoiadores que questionavam o abandono de uma candidatura de perfil progressista para, no lugar, alinhar-se ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT).

Durante a reunião, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente do partido, Rui Falcão, defenderam a manutenção da aliança. As falas foram encaradas como um sinal de apoio de Lula ao deputado.

"Temos um compromisso. Quando fazemos um compromisso, a gente cumpre. Mas nós queremos que o PSB fale abertamente sobre como vai trabalhar nisso. Isso não é contra o Molon, ele tem legitimidade de pleitear. Mas isso tem a ver com uma estratégia política de unidade do nosso campo. Não é possível sair dividindo a disputa para o Senado num palanque tão importante como o Rio de Janeiro", afirmou Gleisi, após essa reunião.

A presidente do PT também citou decisão do PSB de não liberar recursos do fundo eleitoral para Molon. Mas, na opinião de petistas, a medida tem pouco efeito prático, além de vitimizar Molon.

"O PSB oficializou na executiva que não vai dar financiamento eleitoral. Isso já é grave o bastante, porque quando tira o financiamento, o candidato vai fazer o quê? Se virar? Vai ser candidato de quem? Dele mesmo? Teve um passo importante", disse ela.

Após a reunião, Gleisi divulgou a decisão de apoiar a chapa Freixo-Ceciliano. Essa decisão abre nova polêmica entre PT e PSB. Desta vez, sobre a distribuição de tempo e recursos para os candidatos ao Senado.

O PT alega que só o presidente da Alerj será beneficiado. "A comissão executiva nacional do PT confirma o apoio à chapa Marcelo Freixo (PSB) para governador e André Ceciliano (PT) para senador no Rio de Janeiro. Com Lula e Alckmin vamos juntos reconstruir nosso Brasil", publicou a deputada

O movimento pelo rompimento com Freixo foi alvo de críticas nas redes sociais.

A movimentação de uma ala da sigla em favor dos planos de Eduardo Paes reavivou críticas que lembravam o apelido de Partido da Boquinha, cunhado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho em 1999 para se referir à seção fluminense da sigla.

Em áudio de oito minutos enviado a um grupo de militantes, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) respondeu aos ataques. Ela se posicionou de forma favorável ao rompimento caso o PSB se negue a cumprir o acordo.

"O PT está aqui para dar todo o apoio ao Freixo. Mas peraí, o que é isso? O maior partido de esquerda na América Latina, no Rio de Janeiro, vai ficar fora da chapa? Acha que isso é normal? [...] Onde está o erro do PT nesse negócio? Onde é que estão os boquinhas nisso?", disse ela.

Há também resistência num setor do partido ao nome de Ceciliano, petista que tem bom trânsito com bolsonaristas no Rio de Janeiro e tem feito agendas ao lado de Cláudio Castro (PL).

Molon tem usado essa aproximação entre Castro e Ceciliano para reforçar a necessidade de sua candidatura. No comício em julho de Lula no Rio de Janeiro, o deputado do PSB afirmou que é necessário derrotar o presidente Jair Bolsonaro e Castro "sem conciliação, sem ambiguidades". Ele recebeu o apoio de artistas, como Anitta, e de nomes do PSOL.

Ceciliano, por sua vez, vem tentando se aproximar da militância mais ideológica do partido. Ele tem se apresentado como um nome fiel a Lula por não ter deixado o PT nos momentos de crise da Operação Lava Jato, em contraposição à mudança de partido feita por Molon.

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