PT tenta atrair puxadores de votos dos movimentos negro, feminista e LGBTQIAP+ e gera incômodo na esquerda

·2 min de leitura

SÃO PAULO — Na tentativa de aumentar a bancada no Congresso nas eleições do ano que vem, o PT tem procurado em outros partidos de esquerda, como PSOL e PDT, candidatos puxadores de voto. São nomes já consolidados na política e ligados aos movimentos negro, feminista e LGBTQIAP+.

O “assédio” dos petistas tem incomodado as outras siglas e é considerado acima do comum mesmo para um ano pré-eleitoral. Dirigentes partidários avaliam que a candidatura do ex-presidente Lula, com 48% das intenções de voto, segundo o Datafolha, torna o cenário mais atrativo para as trocas.

A filiação mais recente anunciada pelo PT foi a do senador Fabiano Contarato (ES), eleito pela Rede e destaque na CPI da Covid. Delegado de polícia, ele atua em pautas ligadas à discriminação de gênero. Já o historiador Douglas Belchior, liderança do movimento negro, deixou o PSOL e deve ser candidato a deputado federal pelo PT, junto à drag queen e ativista Ruth Venceremos, do Distrito Federal, e ao ex-deputado Jean Wyllys.

Em São Paulo, o partido tenta atrair a deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), primeira mulher trans na Assembleia Legislativa, que poderia sair candidata à Câmara ou ao Senado, e sua colega Isa Penna, que disputaria a reeleição.

— O PSOL ocupou um espaço em pautas como combate ao racismo e homofobia, e o PT ficou atrás, por isso há um interesse (em nossos quadros) — diz o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que completa: — Vamos lutar para manter esses quadros.

Para tentar evitar uma debandada, siglas menores têm oferecido a seus parlamentares espaço na executiva nacional e a possibilidade de concorrer a cargos mais altos.

Diálogo por aliança

Filiada ao PDT, a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte e primeira trans no parlamento mineiro, Duda Salabert, também é sondada pelo PT. Ela poderia disputar o Senado ou o governo de Minas.

Anne Moura, secretária Nacional de Mulheres do PT, nega assédio sobre políticos de outros partidos e diz que há “diálogo” com eles:

— A gente tem a preocupação em fortalecer os partidos que ficaram conosco na defesa de Lula e que estarão conosco (na eleição).

Camila Galetti, que estuda política institucional, feminismo e movimentos sociais na Universidade de Brasília, lembra que o PT priorizou a discussão de gênero logo após sua fundação, mas isso se perdeu com o tempo, o que explica o movimento atual.

— Quando o partido deixa de lado a discussão de identidades, isso vai ressoar nos discursos dos parlamentares e na aderência do eleitorado. Por isso, o PT faz essa movimentação (de buscar deputados), para mostrar o quanto está por dentro dessas pautas — disse.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos