'Publicação sobre eficácia dizima qualquer tipo de necessidade de informações', diz responsável pela Sputnik V

Paula Ferreira
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BRASÍLIA- A União Química espera que a publicação da eficácia da vacina Sputnik V na revista "Lancet" nesta terça-feira pode ajudar a acelerar o processo de autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o diretor de assuntos internacionais da farmacêutica, Rogério Rosso, afirmou que o artigo da revista científica "dizima" a necessidade de prestar mais informações sobre a segurança e eficiência da vacina.

Nesta terça-feira, o Instituto Gamaleya, na Rússia, publicou no periódico científico que a vacina russa tem 91,6% de eficácia. Rosso afirmou que espera que a Anvisa aprove "nos próximos dias, horas" a autorização emergencial de uso da Sputnik V no Brasil. Como O GLOBO mostrou, no entanto, o processo está parado na Anvisa pelo fato de que a farmacêutica não forneceu dados considerados cruciais pela agência.

— Se existia a necessidade de uma publicação, ela foi publicada. O que a gente aguarda da nossa agência regulatória que a gente confia bastante é que tenhamos nos próximos dias, horas, o posicionamento favorável para autorização do uso emergencial — disse Rosso. — Estamos fazendo um esforço enorme de complementação de todas as informações que a Anvisa pediu, entretanto, a publicação na Lancet dizima qualquer tipo de necessidade de informações do ponto de vista oficial da eficácia e segurança. O mundo inteiro hoje aplaudiu e ficou feliz porque é mais uma prova de que temos mais uma vacina à disposição do mundo com eficácia.

Em nota, nesta terça-feira, a Anvisa afirmou que a divulgação da eficácia da vacina Sputnik V é uma "boa notícia", mas destacou que o imunizante cujos dados foram publicados é diferente daquele submetido à Anvisa pela farmacêutica União Química. O representante da farmacêutica, no entanto, nega que a vacina que teve pedido submetido à Anvisa seja diferente.

— Só existe uma vacina Sputnik V, inclusive nosso pedido emergencial das 10 milhões de doses feito em 15 de janeiro foi exatamente das vacinas russas que foram publicados os resultados. É a mesma vacina, portanto deve ter sido algum tipo de equívoco por parte da Anvisa — disse.