Publicações espalham informações falsas sobre os corgis da rainha Elizabeth II

Usuários compartilham uma imagem de corgis que pertenceriam à rainha Elizabeth II saindo de um avião após a morte da monarca britânica, em 8 de setembro de 2022. Mas, na verdade, a foto foi tirada em 1993 e os cães eram da mãe da rainha.

“‘Os corgis tristes!’ Que alguém do palácio os trate com amor. Os cachorros da Rainha Elizabeth II”, diz a legenda de uma das publicações, que somam mais de 6 mil compartilhamentos no Facebook (1, 2, 3),  Twitter (1, 2) e TikTok.

As mensagens acompanham uma foto que mostra duas pessoas carregando quatro corgis para fora de um avião.

Captura de tela feita em 14 de setembro de 2022 de uma publicação no Facebook ( . / )

  

A rainha Elizabeth II, a monarca mais longeva da história britânica, morreu no dia 8 de setembro de 2022, em Balmoral, seu retiro escocês na zona rural de Aberdeenshire, aos 96 anos. Seu falecimento despertou o interesse dos internautas nos companheiros de quatro patas da rainha.

A foto viral é autêntica, porém, não é nova nem mostra os corgis da rainha.

Uma busca reversa no Google indica que a foto existe online há anos, inclusive em uma galeria de fotos de abril de 2016 da revista norte-americana Good Housekeeping. A versão original foi feita pelo fotógrafo Julian Parker em outubro de 1993, de acordo com o banco de imagens Getty Images.

“Os Corgis da rainha mãe chegam ao aeroporto de Heathrow, após a visita de verão a Balmoral”, diz a legenda, referindo-se à mãe da rainha Elizabeth II e esposa do rei George VI.

Captura de tela feita em 14 de setembro de 2022 no banco de imagens Getty Images ( . / )

Jessica Storoschuk, historiadora e repórter do site Royal Central, confirmou à AFP que a foto é dos corgis da rainha mãe voltando de Balmoral, não dos cães da rainha Elizabeth II”.

“Eles seriam levados de volta depois que a rainha mãe passasse as férias de verão na Escócia”, disse ela.

Brooke Newman, historiadora da Grã-Bretanha moderna e da família real da Virginia Commonwealth University, concorda que a foto não é recente. Ela afirma que a rainha Elizabeth II tinha uma variedade de cães e apenas dois corgis 'puros', em vez dos quatro corgis que esta foto sugere”.

“No momento de sua morte, a rainha tinha pelo menos quatro cães: dois corgis, um cocker spaniel chamado Lissy e um corgi-mix (um 'dorgi') chamado Candy”, disse Newman. “Os dois corgis, Muick e Sandy, serão cuidados por seu filho, o príncipe Andrew”. Um porta-voz do príncipe Andrew confirmou a informação à AFP.

Embora não esteja claro o que acontecerá com os outros dois cães, Newman disse que é provável que eles sejam divididos entre outros membros da família”.

Rainha não será enterrada com cachorros

A foto fora de contexto não é a única confusão relacionada aos cães que se espalhou nas redes desde a morte da rainha.

“MEU DEUS? tradução: Bonitinho! Corgis da rainha Elizabeth se preparam para serem enterrados viv0s com ela”, diz um tuíte publicado em 8 de setembro de 2022.

Alguns internautas expressaram preocupações genuínas sobre o destino dos animais de estimação da rainha. Mas a alegação surgiu em um artigo do site norte-americano Reductress, um portal conhecidamente satírico.

Um corgi sentado do lado de fora do Palácio de Buckingham, em Londres, em 11 de setembro de 2022, três dias após a morte da rainha ( AFP / Sebastien Bozon)

“Infelizmente, não há fofocas sórdidas para serem encontradas, somente cães dedicados que certamente sentem falta de sua dona”, disse Kelly Lynch, escritora de um blog chamado The Duchess Diary.

Historiadores contatados pela AFP também deram detalhes sobre o que acontece quando os animais de estimação da realeza falecem.

De acordo com Storoschuk, os corgis “normalmente são enterrados em Sandringham, a residência real favorita da rainha”, acrescentando que é improvável que seus cães sejam enterrados na Capela de São Jorge, em Windsor, onde a monarca descansará.

Foi relatado que Sandringham Estate tem um cemitério de cães, onde a rainha Elizabeth II costumava enterrar seus animais de estimação falecidos.

“Em uma observação prática, a capela tem espaço limitado e, por mais que ela os amasse, eles não receberiam um lote lá”, disse Storoschuk.

O AFP Checamos já verificou (1, 2) outros conteúdos falsos sobre a morte da rainha.