Finanças calamitosas e resistência a mudanças reveladas em livro sobre Vaticano

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O papa Francisco está "em perigo?", questiona o autor de um livro apresentado nesta quarta-feira em Roma que revela o "difícil combate" travado por Jorge Bergoglio para mudar o Vaticano, começando pela má gestão financeira predominante.

O pontífice ainda fica furioso quando descobre algo sobre o estado calamitoso das finanças do Vaticano, revela uma gravação de Jorge Bergoglio, transcrita do livro "Via Crucis", a ser publicado na quinta-feira em vários países.

Durante uma reunião no Vaticano em 3 de julho de 2013, na presença de vários cardeais e membros da Cúria, o governo da Santa Sé, os medos do Papa se confirmaram por um documento revelando "a total falta de transparência" das contas do pequeno Estado.

"Esta opacidade torna impossível estimar a situação financeira...", diz o documento, segundo este livro do jornalista Gianluigi Nuzzi, já autor de "Sua Santidade", um livro baseado em cartas confidenciais do papa emérito Bento XVI.

Desta vez, "Via Crucis" oferece um mergulho nos meandros financeiros do Vaticano, onde os desvios de fundos e peculato são revelados graças a vários documentos entregues ao autor por fontes anônimas.

Pouco depois de sua eleição em 2013, Francisco nomeou uma comissão, a Coşea, responsável por formular propostas de reformas econômicas.

A comissão pôde investigar a fundo as finanças da Santa Sé, mesmo que seu presidente Joseph Zahra tenha sido obrigado a pedir repetidamente a intervenção do Papa para liberar certos documentos, explicou Nuzzi durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira em Roma.

E o que ela descobriu é aterrador. "Por cada 10 euros recolhidos pelo último Santo Padre (doações de dioceses de todo o mundo para as atividades da Santa Sé para os pobres), seis foram usados ​​para sanar as contas da Cúria", afirmou Nuzzi.

Dois euros foram depositados em uma conta reserva, com um crédito de 400 milhões de euros, enquanto "apenas dois retornaram para o Papa e às suas obras de caridade", revelou.

O trabalho da Coşea não agradou a todos no Vaticano e a uma espécie de resistência foi organizada. Na madrugada de 30 de março de 2014, o cofre da comissão foi violado, documentos desapareceram, substituídos por cartas antigas de Michele Sindona, um ex-banqueiro próximos do Vaticano, aos membros da Cúria da época.

Esta foi uma "mensagem clara de intimidação", segundo Nuzzi. Michele Sindona, acusado de ser o banqueiro da máfia, morreu envenenado na prisão em 1986 depois de prometer revelações.

Tumor

Para Nuzzi, o recente rumor sobre um "suposto" tumor cerebral do papa Francisco também foi uma tentativa de intimidação.

A Coşea foi dissolvida em maio de 2014 e "não é segredo para ninguém que isso levou a um abrandamento das reformas", considerou Nuzzi.

Dois dos seus membros, uma publicitária italiana, Francesca Chaouqui, e um padre espanhol, Dom Lucio Anjo Vallejo Balda, suspeitos de fornecer os documentos confidenciais que serviram de base para o livro, foram presos neste fim de semana pelas autoridades do Vaticano.

Chaouqui foi liberada depois de prometer cooperar com a investigação, e nesta quarta-feira acusou o espanhol de ter gravado as conversas privadas do Papa.

"Foi monsenhor Balda que fez as gravações do papa Francisco, eu não sabia nada", declarou a publicitária italiana ao jornal La Repubblica.

Nuzzi não revelou nada sobre suas fontes, embora tenha reconhecido nesta quarta-feira que conhece os dois suspeitos.

Ele, no entanto, expressou surpresa à reação do Vaticano.

O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, considerou nesta quarta ultrapassadas as informações contidas no livro de Nuzzi e no de seu colega italiano Emiliano Fittipaldi, "Avarice", que será lançado esta semana com outras revelações financeiras do Vaticano.

Acima de tudo, ele considerou que os livro transmitem erroneamente a impressão de que "reina a confusão e opacidade", quando atualmente a reforma avança no Vaticano.

No entanto, "Via Crucis" é também um apelo pelas reformas desejadas por Franciso, mesmo que seu autor seja pouco otimista.

No epílogo, Nuzzi constata "os esforços de Jorge Bergoglio para perseguir os mercadores do templo".

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