Publicitário afirma que foi pago para ser apoiador fake de Bolsonaro

Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O publicitário Beto Viana afirmou ter sido contratado pelo site bolsonarista Foco do Brasil para fazer uma pergunta para o presidente Jair Bolsonaro (PL) combinada previamente com o governo federal e o portal.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Viana contou que havia sido indicado por um amigo e contratado, por telefone, por uma pessoa de nome Anderson.

O canal no YouTube, que conta com 2,9 milhões de inscritos, foi criado por Anderson Azevedo Rossi. Segundo o publicitário, Anderson o questionou se ele tinha coragem de fazer uma pergunta ao mandatário.

"Aí ele falou: 'Eu vou mandar a pergunta aí no WhatsApp e você faz essa pergunta pra ele. Se qualquer outro apoiador for falar com o presidente, você corta porque o presidente está esperando essa pergunta sua. Aí ele mandou o texto do jeitinho que era pra eu falar."

Viana também foi orientado a sempre se fingir de apoiador e buscar não levantar suspeitas de outros repórteres que fazem a cobertura jornalística na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília.

“Eu não assisto a Globo”

No dia 13 de abril de 2020, no auge da pandemia de covid-19, Bolsonaro foi ao “cercadinho” do Palácio da Alvorada para conversar com seus apoiadores.

Viana, então, aparece nas imagens perguntando se o presidente assistiria a entrevista do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no programa Fantástico.

Bolsonaro respondeu de pronto: “Eu não assisto a Globo”. A cena foi gravada por várias pessoas e logo viralizou nas redes sociais.

"Eu fiquei até meio sem graça porque imaginei que ele ia falar alguma coisa, falar da entrevista e tal, porque, no meu ponto [de vista], seria uma pergunta de imprensa, mas era uma pergunta para ele poder 'mitar'. Aí ele 'mitou''', disse Viana ao jornal.

Naquele mesmo dia, ele recebeu uma TED de R$ 1.100 transferido da conta da "Folha do Brasil Negócios Digitais", antigo nome do Foco do Brasil. Segundo ele, a informação foi a de que era um adiantamento de seu salário mensal, de R$ 2.000.

O publicitário trabalha hoje como motorista de aplicativo, mas contou que continuou indo ao cercadinho e foi orientado a fingir ser um apoiador e não fazer mais perguntas.

Dias depois, ele relatou que Anderson disse que o vídeo havia viralizado e ele estaria muito visado. Por isso, ele seria deslocado para fazer imagens de manifestações bolsonaristas na Esplanada dos Ministérios. Cerca de um mês depois, foi dispensado.

Em uma das mensagens em seu telefone, o contato de Anderson havia lhe prometido ajuda mensal de R$ 500 para que ele alugasse uma moradia na Vila Planalto, que fica bem próxima ao Alvorada.

O jornal Folha de S. Paulo enviou perguntas à Presidência e ao Foco do Brasil, mas não obteve respostas.

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