Rússia invade Ucrânia: fortes explosões atingem capital; invasão deixa ao menos 137 mortos

·7 min de leitura
tanques russos invadem o território ucraniano
tanques russos invadem o território ucraniano

Forças militares russas iniciaram nesta quinta-feira (24/2) uma ampla invasão da Ucrânia.

Há relatos de tropas cruzando diversos pontos da fronteira e explosões perto das principais cidades ao redor do país — e não apenas na região de Donbas, onde grupos separatistas foram reconhecidos e apoiados recentemente pela Rússia. Há ao menos 137 mortos e mais de 300 feridos nos dois primeiros dias de conflito, segundo autoridades ucranianas.

Em um pronunciamento televisionado, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que a Rússia não planeja ocupar a Ucrânia, mas alertou que a resposta será "imediata" contra qualquer um que tente parar a operação. Ele instou os soldados ucranianos a se renderem e voltarem para casa — do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue, disse o presidente russo.

Logo depois, unidades militares ucranianas foram atacadas. "Putin lançou uma invasão em larga escala da Ucrânia", afirmou o governo ucraniano.

Em pronunciamento em vídeo no primeiro dia de guerra, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decretou lei marcial em todo o país, instaurando um regime de guerra e substituindo a legislação vigente até em então. Grande parte dos reservistas foi convocada. "Sem pânico. Nós somos fortes. Estamos prontos para qualquer coisa. Nós vamos derrotar qualquer um porque nós somos a Ucrânia."

Os principais acontecimentos nos dois primeiros dias de conflito são:

  • Fortes explosões e sirenes de alerta são ouvidas nesta sexta-feira no centro de Kiev, onde vivem 2,8 milhões de pessoas. Relatos não confirmados oficialmente dizem que as defesas aéreas da cidade pararam um ataque aéreo ao interceptar uma série de mísseis e derrubar uma aeronave russa. Há diversas imagens de prédios residenciais destruídos nos ataques.

  • Desde o início da invasão, a Ucrânia vem tentando se defender da invasão russa a partir de três grandes frentes diferentes: norte, sul e leste, este palco dos combates mais violentos.

  • O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, divulgou um novo vídeo nesta sexta-feira em que dizia: "Estamos defendendo a Ucrânia sozinhos", visivelmente decepcionado com a reação da comunidade internacional.

  • A União Europeia, a Austrália e o Japão anunciaram na sexta-feira novas sanções que miram bancos, empresas e oligarcas russos. Elas se somam às sanções anunciadas na quinta-feira (24/2) pelo presidente americano, Joe Biden, que seguem a mesma linha.

  • Muitos dos habitantes da capital ucraniana e Kharkiv se refugiaram em estações de metrô e abrigos subterrâneos (bunkers) por medo de ataques aéreos russos.

  • Zelensky informou ao fim do primeiro dia de guerra que pelo menos 137 cidadãos ucranianos — entre soldados e civis — foram mortos no primeiro dia do ataque militar russo. Mais de 300 pessoas ficaram feridas.

  • Mais de 100 mil pessoas fugiram de suas casas e dezenas de milhares fugiram da Ucrânia desde o início da ofensiva russa, segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

  • O presidente francês, Emmanuel Macron, ligou para o colega Putin para pedir que ele interrompesse o ataque, numa conversa "franca, direta, curta".

  • Nas cidades russas, milhares de pessoas protestaram contra a decisão do presidente Putin de ir à guerra contra a Ucrânia; centenas de manifestantes foram presos.

  • O objetivo da Rússia seria, segundo o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, derrubar o governo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e colocar um aliado no comando do país.

  • A mídia ucraniana divulgou como seria o suposto plano da Rússia para tomar a capital Kiev. Segundo fontes de contrainteligência ouvidas por jornalistas locais, a ofensiva prevê dominar pistas de pouso na cidade para desembarcar mais de 10 mil combatentes, causar pânico generalizado com sabotagem nas redes elétricas e de comunicação, forçar autoridades a assinar acordos nos termos exigidos pela Rússia e até a possibilidade de dividir o país em dois, como ocorreu no caso da Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental.

mapa com relatos de explosões em cidades ucranianas
mapa com relatos de explosões em cidades ucranianas

Caos e fuga nas cidades

Há diversas imagens de cidadãos procurando abrigo ou fugindo da capital de carro e transporte público. Há filas em caixas eletrônicos, prateleiras vazias em mercados e os voos civis foram completamente suspensos.

A embaixada brasileira na Ucrânia orientou os brasileiros que vivem no país a seguir as instruções das autoridades locais e acompanhar as notícias. Em Kiev, a recomendação para o momento é de se ficar em casa, exceto se houver ativação de sirenes de emergência para procurar abrigos. Em outras regiões, "a embaixada recomenda que brasileiros que possa deslocar-se por meios próprios para outros países ao oeste da Ucrânia que o façam tão logo possível, após informarem-se sobre a situação de segurança local". No caso dos brasileiros na região leste, à marquem esquerda do rio Dnipro, quem não conseguir se deslocar para a fronteira oeste deve entrar em contato com o corpo diplomático no país (+380 50 384 5484).

"Aos brasileiros que não puderem deixar o país de modo seguro, a embaixada orienta a procurar um local seguro para o momento, longe de bases militares, instalações responsáveis pelo fornecimento de energia e internet e áreas responsáveis pela produção de energia elétrica."

Estima-se que a Rússia tenha mobilizado 200 mil combatentes e milhares de veículos de combate ao redor da Ucrânia. Não está claro quantos entraram no país, por onde e com que destino.

Aliados da Ucrânia no Ocidente, como Estados Unidos e Reino Unido, fizeram diversos alertas de que a Rússia estava prestes a invadir a Ucrânia. Mas Putin e outras autoridades russas negaram diversas vezes que isso ocorreria.

O anúncio de Putin aconteceu no mesmo momento em que ocorria uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Estados Unidos, sobre a crise.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou pedindo "do fundo do coração": "Presidente Putin, detenha suas tropas de atacar a Ucrânia".

Mapa
Mapa

Em resposta à operação militar russa, o presidente americano, Joe Biden, afirmou que os EUA e seus aliados iriam de forma unida e decisiva responder ao "ataque injustificado e não provocado das forças militares da Rússia" na Ucrânia.

"O presidente Putin escolheu uma guerra premeditada que acarretará em catastróficas perdas de vida e em sofrimento humano", afirmou Biden. "O mundo fará a Rússia responder por isso."

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse estar "chocado pelos eventos assustadores na Ucrânia" e que o presidente Putin "escolheu um caminho de sangue e destruição ao lançar um ataque não provocado". Ele acrescentou ter falado com o colega ucraniano, Zelensky, sobre como responder, prometendo ações decisivas do Reino Unido e de outros aliados.

Ursula von der Leyen, chefe da Comissão Europeia, afirmou que os países europeus estão preparando uma série de sanções contra a Rússia. "Com este pacote, visaremos setores estratégicos da economia russa bloqueando seu acesso a tecnologias e mercados-chave. Vamos enfraquecer a base econômica da Rússia e sua capacidade de modernização. (...) Além disso, congelaremos os ativos russos na União Europeia e impediremos o acesso de bancos russos ao mercado financeiro europeu. Assim como no primeiro pacote de sanções, estamos alinhados com parceiros e aliados. prejudicam os interesses do Kremlin e sua capacidade de financiar a guerra."

Rússia vem reforçando sua defesa, reduzindo a dependência do dólar e tentando tornar sua economia à prova de sanções. Entenda aqui o plano do país para tentar resistir às medidas internacionais.

Putin sentado, olhando para livro
Presidente russo afirmou no início desta quinta-feira (24/2) que o conflito entre as forças russas e ucranianas é 'apenas uma questão de tempo'

Otan e apoio da Rússia a regiões separatistas

A operação militar da Rússia teve início poucos dias depois que o país reconheceu as autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Após esse anúncio, os separatistas, que controlam vastas áreas na região de Donbas, pediram apoio militar de Moscou.

Em seu anúncio sobre a operação militar iniciada na Ucrânia nesta quinta (24/2), Putin afirmou que o objetivo da medida é defender um povo submetido a oito anos de "genocídio pelo regime de Kiev".

A declaração parece fazer referência ao período iniciado com os protestos em massa na Ucrânia que derrubaram o presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovych, em 2014.

Moradores de Kiev procuram abrigo em estações de metrô
Moradores de Kiev procuram abrigo em estações de metrô

Segundo Putin, a operação na Ucrânia visa "a desmilitarização e a desnazificação" da Ucrânia.

Por repetidas vezes, Kiev e seus aliados no Ocidente refutaram como "absurdas" as declarações de Putin de que a Ucrânia estava sendo comandada por neonazistas. E que a Ucrânia, diferentemente do avanço autoritário na Rússia, era uma nação com avanços em instituições democráticas.

Os temores de ataque começaram há meses.

Putin acusou diversas vezes os EUA e seus aliados de ignorarem as demandas da Rússia de evitar que a Ucrânia se juntasse à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de oferecer garantias de segurança a Moscou.

A seguir, veja as 3 principais rotas que Rússia tem para invasão da Ucrânia

Ataque via Belarus
Ataque via Belarus
Norte
Norte
Ataque pelo leste
Ataque pelo leste

Sabia que a BBC está também no Telegram? Inscreva-se no canal.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos