Putin cancela ataque e ordena bloqueio de usina que é o último reduto ucraniano em Mariupol, reivindicando vitória na cidade

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O presidente russo Vladimir Putin mandou nesta quinta-feira que suas tropas cancelassem um ataque à usina siderúrgica Azovstal, que se tornou o último reduto da Ucrânia na cidade de Mariupol, ordenando que suas forças a bloqueassem. Putin aindou tentou reivindicar vitória na cidade, dizendo que "ofim do trabalho de libertação de Mariupol é um sucesso".

Em uma reunião altamente coreografada e transmitida pela televisão estatal, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, afirmou a Putin que Mariupol estava sob controle russo, com exceção de Azovstal. Segundo ele, mais de 2 mil combatentes ucranianos estão escondidos no local — de acordo com um comandante da Ucrânia em um vídeo divulgado na quarta, há cerca de 500 soldados feridos e várias centenas de civis entre as pessoas cercadas, “incluindo mulheres e crianças”.

Após o anúncio do presidente russo, a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, exigiu que a Rússia permita um corredor humanitário imediato para que os civis sejam retirados da usina. Segundo ela, mil civis e 500 soldados feridos precisam ser retirados imediatamente.

A captura total de Mariupol, sitiada pelas forças russas há semanas, é uma parte central dos planos de Moscou de isolar a Ucrânia do Mar de Azov e forjar uma ponte terrestre ligando a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Autoridades já vinham apontando que a cidade estava prestes a cair, mas as forças ucranianas vêm realizando uma resistência impressionante . Nas últimas semanas, as tropas se esconderam na usina que cobre uma área de mais de 11 km², enquanto a cidade está em ruínas.

Nesta quinta, após o ministro Shoigu dizer a Putin que levaria de "três a quatro dias para terminar o trabalho" na usina, o presidente russo respondeu chamando a invasão do local de “impraticável”.

— Ordeno que seja cancelado — disse Putin. — Este é o caso quando devemos pensar (ou seja, devemos sempre pensar, mas ainda mais neste caso) em preservar a vida e a saúde de nossos soldados e oficiais. Não há necessidade de escalar essas catacumbas e rastejar no subsolo por essas instalações industriais.

Oleksiy Arestovych, conselheiro presidencial ucraniano, disse que a Rússia decidiu bloquear a usina porque não pode tomá-la à força.

— Fisicamente eles não podem tomar Azovstal. Eles entenderam isso, eles tiveram enormes perdas lá. Nossos defensores seguem mantendo ela — disse Arestovych. — Isso também pode ser explicado pelo fato de terem deslocado parte de suas forças [de Mariupol] para o norte, a fim de reforçar as tropas que tentam cumprir seu objetivo principal... avançar para os limites administrativos das regiões de Donetsk e Luhansk.

O ministro da Defesa russo disse a Putin que a Rússia havia matado mais de 4 mil soldados ucranianos em sua campanha para tomar Mariupol e que 1.478 haviam se entregado. Esses números, no entanto, não puderam ser verificados — assim como quase todos em relação a baixas dos dois lados no conflito.

Putin disse a Shoigu para bloquear a fábrica, onde os combatentes ucranianos estão escondidos no subsolo por semanas, "para que uma mosca não possa passar" e para pedir novamente aos ucranianos que ainda estão dentro para baixarem suas armas.

Agora, uma das estratégias de Putin pode ser esperar que se esgotem comida, água e munições das forças ucranianas na usina, para que elas se rendam. Ele disse que a Rússia lhes garantiria “suas vidas e tratamento digno”.

O anúncio do governo russo também pode servir como um momento do presidente russo se apresentar como um líder racional e cauteloso em tempos de guerra, visando a preservação da vida humana — ainda mais com notícias de baixas russas se espalham pelas mídias sociais do país.

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