Putin chega ao Irã e agradece a Erdogan por negociações com a Ucrânia sobre grãos

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  14-11-2019, 09h00: O presidente Jair Bolsonaro participa de evento (Diálogo com o Conselho Empresarial do BRICS) com os presidentes dos países do BRICS, Cyril Ramaphosa (Africa do Sul), Narendra Modi (Primeiro Ministro da Índia), Vladmir Putin (foto) (Rússia) e Xi Jinping (China) durante reunião de cúpula do grupo, no Palácio do Itamaraty. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 14-11-2019, 09h00: O presidente Jair Bolsonaro participa de evento (Diálogo com o Conselho Empresarial do BRICS) com os presidentes dos países do BRICS, Cyril Ramaphosa (Africa do Sul), Narendra Modi (Primeiro Ministro da Índia), Vladmir Putin (foto) (Rússia) e Xi Jinping (China) durante reunião de cúpula do grupo, no Palácio do Itamaraty. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça (19) ter havido avanços na negociação em torno das exportações de grãos da Ucrânia no mar Negro e agradeceu a seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, pela condução das tratativas. Na segunda viagem ao exterior desde o início do conflito na Europa, o russo desembarcou no Irã, onde também se reuniu com o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

A paralisia da exportação de grãos ucranianos durante o conflito tem levado à alta dos preços no mundo todo e intensificado a crise alimentar. "Fizemos progressos graças à mediação [turca]. É verdade que nem todos os problemas foram resolvidos, mas há movimentos, e isso é bom", disse o chefe do Kremlin.

O líder russo voltou a discutir com Erdogan o estabelecimento de corredores marítimos para escoar a produção. Na última sexta (15), o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o governo elabora um documento final para autorizar a exportação dos grãos e que a papelada deve ficar pronta em breve.

Aliado de Putin, Khamenei endossou o discurso do russo ao longo do conflito e afirmou que Moscou não tinha outra alternativa senão lançar a ofensiva contra a Ucrânia em fevereiro. "Se você [Putin] não tivesse tomado a iniciativa, o outro lado [Ocidente] teria causado a guerra", disse o iraniano, que ainda defendeu a retirada gradual do dólar americano no comércio global e pediu mais cooperação entre Teerã e Moscou.

Mais do que a discussão de propostas para impasses decorrentes da guerra, a missão de Putin no exterior soa como uma resposta ao presidente dos EUA, Joe Biden, que visitou na semana passada Israel e Arábia Saudita numa tentativa de combater a influência do Irã e da Rússia no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, Teerã e Moscou tentam unir esforços para mitigar os efeitos das sanções impostas por países do Ocidente. Enquanto Moscou viu restrições se intensificarem após a Guerra da Ucrânia, o Irã é alvo de punições internacionais devido ao desenvolvimento de seu programa nuclear.

Autoridades iranianas consideram que estreitar os laços com Moscou pode forçar os EUA a retomar o acordo nuclear de 2015 com Washington —em Israel, Biden sinalizou que almeja reviver o pacto e destacou que atualmente o Irã está mais próximo de desenvolver uma arma do tipo.

Um novo trato entre EUA e Irã poderia suspender ao menos parte das sanções internacionais e aliviar a pressão econômica sobre Teerã. Nos últimos meses, a aproximação da Rússia com a China provocou a redução das exportações de petróleo de Teerã para Pequim –uma importante fonte de renda para os iranianos desde que o ex-presidente dos EUA Donald Trump reimpôs restrições, em 2018.

Além dos efeitos da Guerra da Ucrânia, os três líderes discutiram também o conflito na Síria, devastada por uma guerra civil que se prolonga por mais de dez anos. Nos últimos dias, Erdogan ameaçou lançar mais operações militares para estender o que chamou de zonas seguras no país do Oriente Médio, o que é rechaçado por Moscou e Teerã, apoiadores do ditador sírio, Bashar al-Assad.

"Manter a integridade territorial da Síria é muito importante, e qualquer ataque militar no norte do país certamente prejudicará a região, além de beneficiar organizações terroristas", disse Khamenei a Erdogan. Ancara apoia rebeldes sírios e quer conquistar a parte norte do território, o que enfraqueceria a reivindicação curda por um Estado independente.

Ao fim do dia, Putin disse que os três líderes concordaram em manter as conversas sobre a Síria e classificou o encontro de "útil e instrutivo". "Discutimos pontos-chaves da nossa coordenação em relação à Síria. Nos últimos anos, a ameaça terrorista diminuiu [...] graças aos nossos esforços", disse em discurso transmitido pela televisão russa.

Antes da Síria, a primeira viagem internacional de Putin desde o início da Guerra da Ucrânia ocorreu no mês passado, quando ele se encontrou com líderes da Ásia Central no Tadjiquistão e no Turcomenistão.

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