Milhares de curdos protestam em Frankfurt contra Erdogan

Berlim, 18 mar (EFE).- Cerca de 30 mil curdos, de acordo com fontes da polícia, protestaram neste sábado no centro da cidade alemã de Frankfurt contra as políticas do presidente da turco, Recep Tayyip Erdogan, e o referendo convocado para abril para instaurar um sistema presidencialista na Turquia.

Segundo imagens divulgadas pela televisão pública regional "HR", muitos manifestantes levavam bandeiras com o rosto de Abdullah Öcalan, líder do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, considerado organização terrorista por Turquia, União Europeia e Estados Unidos) e que cumpre prisão perpétua na Turquia.

A polícia exigiu aos presentes que enrolassem as bandeiras e, após não ser atendida, registrou o ato em fotografias e vídeos para documentá-lo, já que símbolos do PKK são expressamente proibidos na Alemanha.

A associação curda NAV-DEM, organizadora da manifestação, recebeu com críticas essa medida, já que, na sua opinião, "a proibição de símbolos do movimento de libertação curdo equivale à proibição da identidade curda".

Durante o protesto, organizado sob o lema "Não à ditadura, sim à democracia e à liberdade", os participantes gritavam slogans como "Viva a resistência do povo curdo" ou simplesmente "PKK".

Os organizadores contavam inicialmente com a presença de 20 mil pessoas, e a polícia montou um forte esquema de segurança perante o risco de enfrentamentos entre manifestantes curdos e grupos nacionalistas turcos, como os registrados em ocasiões anteriores.

O centro de Frankfurt, muito movimentado os sábados, estava vazio. Várias ruas estavam fechadas e várias linhas de ônibus foram desviadas ou interrompidas em alguns trechos.

Dentro das recentes tensões entre Ancara e Berlim após a prisão na Turquia do jornalista germânico-turco Deniz Yücel e o cancelamento e proibição de comícios de alguns ministros turcos na Alemanha, Erdogan acusou a chanceler alemã, Angela Merkel, de proteger terroristas, em referência ao PKK, algo que o governo alemão tachou de "absurdo".

Na última terça-feira, o Executivo alemão confirmou ao turco via nota verbal, em um procedimento burocrático habitual em processos eleitorais em um terceiro país, a autorização para realizar o referendo na Alemanha, onde vivem cerca de 1,4 milhão de turcos com direito a voto.

Ao mesmo tempo, Berlim lembrou a Ancara a obrigação de ater-se ao direito e à legislação alemã, tanto na campanha como na votação. EFE