Putin diz que relações entre Rússia e EUA pioraram sob Trump

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (12) que as relações de seu país com os Estados Unidos pioraram desde que Donald Trump chegou à Casa Branca.

"Pode-se dizer que o nível de confiança no nível de trabalho, especialmente em questões militares, não melhorou, e ao invés disso se deteriorou", disse Putin em entrevista à mídia russa.

A declaração de Putin ocorre em meio à visita do secretário de Estado americano, Rex Tillerson, a Moscou, em um momento de elevada tensão bilateral devido a divergências sobre o conflito na Síria.

Os atritos também se evidenciaram nesta quarta (12) durante a recepção de Tillerson pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

"Não esconderei o fato de que temos muitas questões, levando em conta as ideias extremamente ambíguas e às vezes contraditórias que têm sido expressadas por Washington", afirmou Lavrov.

Tillerson manteve um tom mais contido no encontro, dizendo que seu objetivo era "esclarecer os pontos de divergência aguda para entender melhor por que essas diferenças existem e quais são as possíveis perspectivas para diminuí-las".

Não está clara se Putin se reunirá com Tillerson durante a visita. Questionado se haverá um encontro entre ambos, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que "há uma certa possibilidade".

Na semana passada, Trump ordenou bombardeios contra a base aérea de Al Shayrat, na Síria, de onde supostamente teriam saído os aviões que conduziram um ataque químico que matou mais de 80 pessoas no nordeste do país. Foi a primeira vez que os EUA atacaram alvos do regime do ditador Bashar al-Assad desde o início da guerra civil no país, há mais de seis anos.

Os EUA acusaram o regime sírio de ter conduzido os ataques químicos e disseram que a Rússia, principal aliada de Assad, trabalha para encobrir as violações. Enquanto isso, a Rússia responsabilizou grupos rebeldes pelo uso de armas químicas e criticou duramente os bombardeios americanos.

Após a decisão de Trump de atacar a Síria, o governo russo aumentou seus mecanismos de defesa aérea no país e reduziu os canais de comunicação estratégica com as Forças Armadas americanas.

SÍRIA

O presidente Trump sinalizou nesta quarta (12) que não pretende aumentar sua intervenção na Síria.

"Nós vamos nos envolver com a Síria? Não", disse o republicano em entrevista à emissora "Fox News". "Mas quando eu vi pessoas usando armas químicas horríveis (...) eu precisei fazer alguma coisa."

O republicano também acusou Assad de ser "uma pessoa pessoa verdadeiramente má" que faz "muito mal para a Rússia" e "para a humanidade".

A atitude belicosa dos EUA contra Assad representa um giro na política externa do governo Trump, que até então vinha declarando que sua prioridade na Síria era combater a facção terrorista Estado Islâmico em vez de substituir o regime.

A deterioração das relações com a Rússia também é inesperada. Trump chegou à Casa Branca prometendo uma reaproximação com Moscou, atraindo desconfiança de opositores que suspeitam que o republicano tenha interesses ocultos nessa relação.

Os serviços de inteligência dos EUA acusam o Kremlin de ter interferido nas eleições do ano passado por meio de ciberataques para beneficiar Trump. Além disso, assessores do republicano são alvos de investigação pelo FBI e pelo Congresso por suspeitas de conluio com autoridades e empresários da Rússia.

Especialistas avaliam que a repentina mudança de atitude de Trump sobre a Síria e o aumento das tensões com a Rússia podem ser parte de uma estratégia do republicano para reduzir as pressões sobre seu governo devido às suspeitas de conluio com Putin.