Putin propõe conversa pública com Biden após ser chamado de assassino

Andrew Osborn e Tom Balmforth
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Presidente russo, Vladimir Putin

Por Andrew Osborn e Tom Balmforth

MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira que ele e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deveriam ter uma conversa transmitida ao vivo, depois que Biden disse achar que Putin é um assassino.

As relações já desgastadas entre Rússia e EUA atingiram mais um patamar crítico no pós-Guerra Fria. Putin, falando na televisão, respondeu sarcasticamente aos comentários de Biden afirmando que é preciso ser um assassino para se reconhecer no outro.

Em uma entrevista à rede ABC News que levou a Rússia a convocar seu embaixador em Washington para consultas na quarta-feira, Biden disse "acho", ao ser indagado se achava que o presidente russo é um assassino.

Putin disse que falou pela última vez com Biden por telefone a pedido do presidente dos Estados Unidos e agora propôs que ambos tivessem outra conversa, na sexta ou na segunda, por chamada de vídeo e transmitida ao vivo.

"Quero oferecer ao presidente Biden que continue nossa discussão, mas com a condição de que o façamos ao vivo, online, em uma discussão aberta e direta", disse Putin quando questionado em uma entrevista na televisão sobre os comentários de Biden. Os dois líderes conversaram por telefone pela última vez em 26 de janeiro, dias após a posse de Biden.

A porta-voz da Casa Branca Jen Psaki afirmou na quinta-feira que Biden não se arrependia de chamar Putin de assassino e ignorou uma pergunta sobre o pedido de Putin para uma ligação.

Na entrevista, Biden também descreveu Putin como alguém que não tem alma, e disse que ele pagará um preço por uma suposta intromissão da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020, algo que o Kremlin nega.

"Lembro de minha infância, quando discutíamos no pátio costumávamos dizer 'um se reconhece no outro'. E isto não é uma coincidência, não é só um ditado de crianças ou uma piada", disse Putin.

"Sempre vemos nossos próprios traços em outras pessoas e achamos que elas são como nós somos, na verdade. E como resultado, avaliamos as atividades (de uma pessoa) e fazemos avaliações".

"Como ele (Biden) disse, nós nos conhecemos pessoalmente. O que eu responderia a ele? Eu diria: desejo saúde a você. Desejo saúde a você. Digo isso sem ironia ou piada", acrescentou Putin.

Em uma ação extremamente incomum após a entrevista de Biden, a Rússia disse que está convocando seu embaixador nos EUA para consultas urgentes sobre o futuro dos laços bilaterais.

Pouco antes de Putin falar, o porta-voz do Kremlin disse que os comentários de Biden mostraram que ele não tem interesse em consertar a relação com Moscou.

"Estes são comentários muito ruins do presidente dos EUA. Ele mostra claramente que não quer melhorar as relações com nosso país", disse Dmitry Peskov. "Agora prosseguiremos a partir disso."

"É claro, isto nunca aconteceu na história", disse Peskov aos repórteres, descrevendo o estado das relações bilaterais como "muito ruins".

Konstantin Kosachyov, vice-presidente da câmara alta do Parlamento russo, disse que as colocações de Biden são inaceitáveis, que tensionarão inevitavelmente laços já ruins e que acabaram com qualquer esperança de Moscou em uma mudança das diretrizes dos EUA com um novo governo.

Os laços russos com o Ocidente sofreram uma nova pressão nos últimos meses devido à prisão do crítico do Kremlin Alexei Navalny, cuja libertação o Ocidente exige.

(Por Tom Balmforth, Anton Kolodyazhnyy, Dmitry Antonov e Andrey Ostroukh)