Putin e Biden prometem diplomacia e diálogo em telefonema

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O presidente russo, Vladimir Putin, em 28 de dezembro (AFP/Yevgeny Biyatov)

Os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos expressaram, faltando poucas horas para uma reunião por telefone nesta quinta-feira (30), sua intenção de dialogar para resolver as tensões entre Moscou e os países ocidentais, que temem uma possível invasão russa da Ucrânia.

Em sua mensagem de fim de ano a Joe Biden, Vladimir Putin disse estar "convencido" de que um diálogo "eficaz" com os Estados Unidos é possível.

"Estou convencido (...) de que podemos avançar e estabelecer um diálogo russo-americano eficaz, baseado no respeito mútuo e na consideração dos interesses nacionais de cada um", escreveu em um telegrama, segundo o Kremlin.

"Apenas a via das negociações pode resolver o mar de problemas imediatos que há entre nós", disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Horas antes, uma porta-voz da Casa Branca assegurou que Biden vai oferecer ao seu homólogo russo "uma via diplomática" para tentar resolver a tensão sobre a Ucrânia.

Biden, que falará com Putin de sua casa em Delaware, dirá que está disposto a empreender "uma via diplomática", afirmou um funcionário de alto escalão da Casa Branca.

Ao mesmo tempo, completou a fonte, o presidente americano deixará claro que os Estados Unidos, que seguem "profundamente preocupados" com a presença de tropas na fronteira com a Ucrânia, também estão "preparados para responder", em caso de invasão.

Washington "gostaria que as tropas voltassem para suas áreas de treinamento habituais", disse a mesma fonte.

Marcado para 20h30 GMT (17h30 de Brasília), o telefonema entre os chefes de Estado acontecerá duas semanas antes das negociações entre os dois países, a partir de 10 de janeiro, sobre os tratados de controle de armas nucleares e a situação na fronteira russo-ucraniana. Países do Ocidente acusam Moscou de concentrar tropas nesta área para um possível ataque.

A Rússia considera uma ameaça direta aos seus interesses o apoio dos Estados Unidos, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia à Ucrânia, que tem um governo pró-Ocidente.

Por isso, o Kremlin apresentou duas exigências para conter a tensão: interrupção de qualquer expansão da Aliança Atlântica e encerramento das atividades militares ocidentais nesta que Moscou considera ser sua área de influência.

- Custos exorbitantes -

O governo Biden continua realizando "ampla diplomacia com nossos aliados e parceiros europeus, consultando e coordenando uma abordagem comum em resposta à concentração militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia", relatou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Emily Horne.

Na quarta-feira (29), o secretário de Estado americano, Antony Blinken, reuniu-se com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e, em seguida, com seus homólogos de França, Alemanha e Reino Unido.

O chefe da diplomacia americana "reiterou o apoio inabalável dos Estados Unidos à independência, à soberania e à integridade territorial da Ucrânia, em face do reforço militar da Rússia", de acordo com seu porta-voz, Ned Price.

Zelensky também mencionou "esforços diplomáticos para alcançar a paz" e, em um tuíte, enfatizou ter recebido garantias do "total apoio americano" para "combater um ataque russo".

Com os ministros das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, da Alemanha, Annalena Baerbock, e do Reino Unido, Elizabeth Truss, Blinken conversou sobre "a importância da coordenação contínua para dissuadir qualquer ataque russo contra a Ucrânia".

Esta será a segunda conversa telefônica entre as duas lideranças em menos de um mês. No início de dezembro, Joe Biden ameaçou Vladimir Putin com sanções "como nunca viu", se atacasse a Ucrânia.

Os países ocidentais descartaram até agora uma resposta militar a uma possível invasão russa, e o Kremlin deu pouca atenção às ameaças de sanções.

A Rússia e sua elite governante já são alvo de inúmeras represálias econômicas dos países ocidentais pela questão ucraniana e pela repressão no país. Nenhuma dessas medidas fez o Kremlin mudar de atitude, muito pelo contrário.

A negociação de 10 de janeiro se anuncia tensa. O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, já descartou a possibilidade de "concessões" por parte de Moscou, e os Estados Unidos alertaram que alguns pedidos russos são "inaceitáveis".

Essas negociações bilaterais precederão uma reunião marcada para 12 de janeiro entre a Rússia e a OTAN. No dia seguinte, vão-se reunir representantes de Moscou e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da qual os Estados Unidos fazem parte, conforme informação divulgada por um porta-voz americano na segunda-feira (27).

Em 2014, a Rússia anexou parte do território ucraniano, a península da Crimeia, manobra pela qual foi alvo de sanções.

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