Putin exorta Europa a retomar diálogo com Belarus para acabar com crise migratória

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta quinta-feira (11) à União Europeia (UE) que retome o diálogo com o governo bielorrusso, acusado de alimentar uma crise migratória em sua fronteira com a Polônia, e ameaçou suspender o fornecimento de gás à Europa, caso seja alvo a novas sanções.

No caso de medidas punitivas, Minsk irá "responder", disse o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, mencionando a possibilidade de interromper o fornecimento de gás do gasoduto Yamal-Europa, que transporta principalmente gás russo para a Alemanha e Polônia.

“O que aconteceria se cortássemos o gás natural que vai para lá?”, questionou Lukashenko, que fez a ameaça em um momento em que os países europeus sofrem com o aumento do preço do gás devido à redução da oferta.

Mais de 2.000 migrantes, principalmente curdos, estão bloqueados a céu aberto por vários dias na fronteira entre Belarus e a Polônia, em condições humanitárias deploráveis, enquanto as temperaturas nesta parte da Europa caem para zero grau.

Essa crise entre Belarus, aliada da Rússia, e a Polônia, membro da União Europeia, foi discutida em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Os países ocidentais do órgão condenaram em uma resolução conjunta "a instrumentalização orquestrada de seres humanos" por Belarus com o objetivo de "desviar a atenção de suas próprias e crescentes violações dos direitos humanos".

O embaixador russo na ONU, Dmitri Polianski, criticou a UE por não servir a esses migrantes. "Eles não têm permissão para cruzar a fronteira, são perseguidos, espancados. É uma vergonha", disse ele.

A UE acusa Belarus de organizar esses movimentos de migrantes e conceder-lhes vistos e até mesmo fretar aviões para desestabilizar a Europa e, assim, se vingar das sanções ocidentais impostas ao governo de Lukashenko após sua reeleição criticada em 2020, que foi seguida por manifestações em massa reprimidas violentamente.

Putin pediu à União Europeia nesta quinta-feira que "restabeleça seus contatos" com Belarus "para resolver a crise migratória o mais rápido possível".

No entanto, a Alemanha considerou que "era hora de analisar as consequências" desta crise e reforçar as sanções contra o governo bielorrusso. Segundo Bruxelas, novas medidas serão anunciadas na próxima semana.

De Berlim, a líder da oposição bielorrussa Svetlana Tijanovskaya garantiu que a ameaça de cortar o gás de Lukashenko não é "séria". "Isso prejudicaria ele e Belarus mais do que a União Europeia", afirmou à AFP.

- Ajuda humanitária -

Com uma dura política migratória, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, que acusou Putin de "orquestrar" a crise, garantiu que seu país foi vítima de uma "guerra de tipo desconhecido", na qual civis são usados como "munições".

As autoridades polonesas afirmam ainda que as forças de segurança bielorrussas disparam para o ar para forçar os migrantes a avançar.

As autoridades bielorrussas afirmam que são os guardas de fronteira poloneses que violam o direito internacional ao forçar violentamente os migrantes a voltar.

Enquanto isso, muitos migrantes, incluindo mulheres e crianças, se encontram presos nessas florestas.

De acordo com o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), nesta quinta-feira eles puderam entregar "ajuda humanitária de emergência", como cobertores, roupas de inverno e fraldas para as crianças.

A Lituânia, que também vê migrantes começando a chegar à sua fronteira com Belarus, pediu a criação de um "corredor humanitário" para evacuar os migrantes para a cidade bielorrussa de Grodno, com um aeroporto, e levá-los "para casa".

A Ucrânia, que também faz fronteira com Belarus, anunciou nesta quinta-feira que enviará milhares de guardas para a fronteira.

De acordo com o diário polonês Gazeta Wyborcza, 10 migrantes morreram na área desde o início da crise.

- Em alerta -

A Polônia enviou 15.000 soldados para a fronteira, colocou uma cerca de arame e aprovou a construção de um muro.

Nesta quinta-feira, as autoridades do país relataram 468 tentativas de cruzar a fronteira nas últimas horas, incluindo de um grupo de 150 pessoas.

Esta crise está se formando há semanas. Desde agosto, a Polônia registrou 32.000 tentativas de entrar ilegalmente em seu território, 17.000 delas em outubro.

Em Sokolka, uma cidade polonesa localizada a cerca de 15 quilômetros da fronteira, as autoridades estão em alerta e param os veículos para verificar se não estão transportando migrantes, confirmou a AFP.

Muitos habitantes apoiam a posição firme de seu governo. "Temo que eles possam cruzar e as consequências que isso poderia trazer", disse Henryk Lenkiewicz, aposentado de 67 anos.

Outros, como a ativista Anna Chmielewska, tentam ajudar os migrantes que conseguiram cruzar a fronteira. "Eles estão ficando cada vez mais cansados e têm cada vez menos esperança de sucesso", lamentou.

bur-gkg/mp/lpt/bl/mb/am

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos