Putin ordena cessar-fogo na Ucrânia em 6 e 7 de janeiro, Ucrânia critica

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou, nesta quinta-feira (5), que suas forças implementem um cessar-fogo na Ucrânia de 6 a 7 de janeiro, por ocasião do Natal ortodoxo, após um pedido feito pelo patriarca Kirill — informou o Kremlin.

Este é o primeiro cessar-fogo desde o início da ofensiva na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.

Este anúncio surge após um pedido do patriarca Kirill, de 76 anos, por ocasião do Natal Ortodoxo, uma data celebrada em ambos os países.

"Em vista do chamado de Sua Santidade o patriarca Kirill, instruo o ministro da Defesa da Rússia a introduzir um regime de cessar-fogo ao longo de toda linha de contato entre as partes na Ucrânia, a partir das 12h de 6 de janeiro deste ano até as 24h de 7 de janeiro", diz Putin, conforme o comunicado divulgado pelo Kremlin.

De acordo com o Kremlin, dado o elevado número de pessoas que professam a fé ortodoxa nas zonas de combate, lançou-se um apelo aos ucranianos para declararem um cessar-fogo que lhes dê a oportunidade de "assistir aos serviços religiosos na véspera de Natal, assim como no Dia do Natividade de Cristo".

Em outro apelo, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu a Putin que declare um cessar-fogo "unilateral" na Ucrânia.

Um conselheiro da Presidência ucraniana, Mykhailo Podoliak, reagiu, qualificando o anúncio de cessar-fogo russo de "hipocrisia".

"A Rússia deve deixar os territórios ocupados. Somente então haverá uma 'trégua temporária'. Fique com sua hipocrisia", tuitou.

Em outra mensagem à imprensa, Podoliak denunciou esse cessar-fogo como um "mero gesto de propaganda".

"A Rússia está tentando por todos os meios, pelo menos temporariamente, reduzir a intensidade dos combates e dos ataques aos seus centros logísticos para ganhar tempo", continuou Podoliak.

Além disso, acusou Putin de não ter "a menor vontade de acabar com a guerra" e de tentar "convencer os europeus a pressionarem" Kiev a entrar em negociações de paz, uma iniciativa que a Ucrânia rejeita há meses.

"Não há necessidade de responder às iniciativas deliberadamente manipuladoras da liderança russa", concluiu.

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