Putin ordena fim do período de desemprego parcial no país

O presidente russo, Vladimir Putin, em 9 de maio de 2020, em Moscou

O presidente russo ordenou o fim, a partir de terça-feira (12), do período de desemprego parcial, em vigor desde o final de março para facilitar a implementação do confinamento, dando o sinal de uma saída gradual e de região por região das restrições.

"A partir de amanhã, 12 de maio, termina o período de desemprego parcial em vigor em todo país e em todos os setores da economia. Mas a luta contra a epidemia (do novo coronavírus) não terminou. O perigo continua", declarou Putin em comentários transmitidos na televisão.

Nas últimas 24 horas, o país registrou mais de 11.000 novas infecções. Diante deste quadro, o anúncio não significa, portanto, o fim do confinamento de todos os russos.

A cidade de Moscou, em particular, o principal foco epidêmico, permanece confinada pelo menos até 31 de maio.

Caberá a cada região, portanto, com base em análises científicas, decidir quais restrições serão levantadas e quando.

"Nosso país é grande, as situações epidemiológicas diferem (...). Não podemos operar com o mesmo modelo em todo o lugar", ressaltou Putin.

Ele ordenou, porém, a reabertura dos negócios, enquanto a economia russa, como em outras partes do mundo, sofre os efeitos do confinamento e também da queda nos preços do petróleo.

"A partir de 12 de maio, sempre que possível, deverão ser criadas condições para a retomada das atividades nos setores básicos da economia: construção civil, indústria, agricultura, telecomunicações, extração de matéria-prima", afirmou.

Putin também anunciou uma série de ajudas financeiras para famílias e empresas, especialmente por meio de isenções de impostos.

Por fim, o presidente estimou que a Rússia havia conseguido evitar o pior, graças ao confinamento e à cessação das atividades, decretada com a manutenção dos salários.

"A experiência em outras partes do mundo mostrou que os sistemas de saúde sobrecarregados têm sido a principal causa de alta mortalidade", afirmou.

"Mas, repito, estamos prontos agora", acrescentou o presidente russo, assegurando que o número de leitos hospitalares adaptados aos pacientes com COVID-19 aumentou de 29 mil para 130 mil desde março.

Ele também insistiu na política de realização de testes em massa conduzida na Rússia. Segundo Putin, isso permite detectar casos leves e assintomáticos de coronavírus, permitindo o tratamento rápido dos pacientes e isolando-os.

Essa abordagem, com 5,6 milhões de testes até o momento, explica, de acordo com as autoridades, a baixa mortalidade na Rússia.

Oficialmente, o país contabiliza 221.344 casos de contágio desde o início da crise, incluindo 11.656 nas últimas 24 horas. A mortalidade oficial permanece relativamente baixa, no entanto, com 2.009 vítimas. Críticos do governo consideram este total subestimado.