Putin reforça vínculos com Ásia e afirma que é "impossível" isolar a Rússia

O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quarta-feira (7) que é "impossível" isolar a Rússia, em um fórum econômico destinado a reforçar os vínculos com a Ásia, a grande aposta do Kremlin para driblar as sanções ocidentais pela ofensiva na Ucrânia.

Desde que Putin ordenou o envio de tropas russas à Ucrânia em 24 de fevereiro, Estados Unidos e União Europeia (UE) anunciaram uma série de sanções econômicas e individuais.

Diante da deterioração das relações com as capitais ocidentais, Moscou volta a atenção para o Oriente Médio, Ásia, África e América Latina.

"Não importa muito que alguns queiram isolar a Rússia, é impossível conseguir", disse Putin no Fórum Econômico de Vladivostok, no extremo leste russo.

A pandemia foi substituída por outros desafios globais "que ameaçam o mundo inteiro", incluindo a "febre das sanções no Ocidente", afirmou Putin.

O presidente russo negou estar usando a energia como "arma" contra a Europa, poucos dias após o grupo Gazprom interromper por tempo indeterminado o abastecimento de gás natural através do gasoduto Nord Stream, que liga a Rússia com a Alemanha.

Ele reiterou o argumento de que as sanções provocaram uma falta de peças de reposição que comprometem a integridade do gasoduto e afirmou que por culpa das medidas punitivas "entramos em um beco sem saída".

"Estamos dispostos (a retomar as exportações de gás pelo Nord Stream) amanhã. Tudo que vocês precisam fazer é apertar um botão", acrescentou Putin em referência aos países europeus.

O chefe de Estado deixou claro que seu país não exportará mais gás nem petróleo para os países que adotarem um teto de preços para os combustíveis russos, como os países europeus planejam fazer para punir as finanças do Kremlin.

"Seria uma decisão absolutamente estúpida impor estas limitações", disse.

- Encontro Putin e Xi no Uzbequistão -

Em um longo discurso, Putin elogiou a influência crescente da região Ásia-Pacífico nos temas mundiais. Também disse que os sócios da região criarão "novas oportunidades colossais para o nosso povo".

A reunião de Vladivostok também tem a participação do presidente do Parlamento chinês, Li Zhanshu, que ocupa o terceiro lugar na hierarquia de poder em Pequim.

Putin se reunirá presencialmente no Uzbequistão na próxima semana, nos dias 15 e 16, com o presidente chinês Xi Jinping, que não viaja ao exterior desde 2020 por causa da pandemia de coronavírus.

Os dois líderes se encontrarão em Samarkand durante a reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, um fórum regional.

"Estamos preparando uma reunião séria e repleta de conteúdo entre nossos líderes. E trabalhando em uma agenda detalhada com nossos sócios chineses", disse o embaixador russo em Pequim, Andrei Denisov.

China e Rússia se aproximaram nos últimos anos para forjar uma relação "sem limites", que apresentam como um contrapeso à hegemonia mundial dos Estados Unidos.

Pequim não condenou a intervenção de Moscou no território ucraniano e concedeu apoio diplomático ao criticar o Ocidente por adotar sanções contra a Rússia e enviar armas para a Ucrânia.

Como prova da aproximação, a Gazprom anunciou na terça-feira um acordo para que a China pague pelo fornecimento de gás em rublos e yuanes, e não em dólares.

Nesta quarta-feira, Putin afirmou que "se perdeu a confiança" no dólar, no euro e na libra esterlina, o que levou a Rússia a tomar distância das moedas "questionadas e pouco confiáveis".

Putin participou no fórum empresarial de Vladivostok um dia depois de supervisionar exercícios militares de larga escala na região, com a participação da China e de outros países.

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