Pyongyang e Washington não dialogarão antes das eleições dos EUA, segundo Moscou

(Arquivo) O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, na Zona Desmilitarizada, em Panmunjom, em 30 de junho de 2019

A Coreia do Norte interrompeu o diálogo com os Estados Unidos e não o retomará até depois das eleições presidenciais americanas em novembro, afirmou o embaixador russo em Pyongyang, Alexandre Matsegora, nesta quarta-feira (20).

"No que se refere ao diálogo com Washington, parece adiado pelo menos até a eleição presidencial nos Estados Unidos", declarou em entrevista à agência de imprensa russa Interfax. "Depois veremos o que acontece".

Depois que a Coreia do Norte testou, no final de março, vários foguetes de "grande calibre", as negociações entre Pyongyang e Washington sobre a questão nuclear parecem estagnadas.

Estados Unidos rejeitou os pedidos de Pyongyang para que as sanções impostas à Coreia do Norte fossem aliviadas como condição prévia para a desnuclearização completa.

Alexander Matsegora afirmou que Moscou "não pode se alegrar com o congelamento profundo do diálogo" entre Pyongyang e Washington, "que se traduz em uma escalada das tensões em uma região próxima à nossa fronteira oriental extrema".

Também criticou as sanções dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, já que impedem o fornecimento de equipamentos médicos essenciais a Pyongyang.

O presidente russo, Vladimir Putin, já havia pedido em março, em uma cúpula do G20 por videoconferência, que as sanções fossem aliviadas em tempos de coronavírus, por considerar que se tratava de uma questão de "vida ou morte".

Segundo o embaixador russo em Pyongyang, as sanções bloqueiam o envio de medicamentos e equipamentos médicos, e Washington "persegue qualquer um que tenha contato comercial com a Coreia do Norte, mesmo se for sobre fornecer coisas absolutamente inofensivas".