Quadrilha planejava furtar trilhos do metrô; ex-secretário da Prefeitura do Rio e vereador é investigado

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio deflagraram, na manhã desta quarta-feira, a terceira fase da Operação Resina, com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada no furto qualificado de cargas de caminhões. Segundo as investigações, os criminosos furtavam caminhões com materiais como aço, ferro e resina e, após o furto, se organizavam para distribuir a carga, por meio de receptação qualificada e corrupção ativa e passiva. De acordo com a polícia, o bando planejava furtar trilhos do metrô do Rio e desviar para o metrô de São Paulo. Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão. Um dos alvos de busca é o ex-secretário municipal de Ciência e Tecnologia do Rio e vereador, William Coelho.

Até o momento, cinco pessoas já foram presas. Uma delas é o ex-policial Edson dos Santos Filho, pai de William Coelho, preso em flagrante por estar com uma arma sem registro. Ele era alvo de mandado de busca e apreensão e foi localizado em casa, na Praia de Sepetiba. No imóvel ainda foram encontrados R$ 15 mil em espécie e R$ 300 mil em cheques.

O ex-secretário municipal de Ciência e Tecnologia do Rio Willian Coelho (DC) é um dos alvos de mandado de busca e apreensão nesta operação. Ele deixou o cargo em 5 de julho para poder concorrer à eleição. Desde então, ocupa o cargo de vereador. Nessa terça-feira (2) foi o primeiro dia de plenário após o recesso e da saída do governo. William Coelho esteve na sessão normalmente. No retorno, conversou longamente com os colegas. O parlamentar está em seu terceiro mandato como vereador, tem 38 anos e é bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá. Procurado, o prefeito Eduardo Paes ainda não comentou.

A investigação comprovou a participação de 21 pessoas, que associavam-se a funcionários de transportadoras, em geral motoristas de caminhões. Aproveitando-se da confiança de seus empregadores, eles recebiam as mercadorias a serem transportadas e entregavam a carga aos demais integrantes do grupo.

Após os furtos, eram feitos falsos registros de ocorrência em delegacias distantes do local do suposto roubo. Para a confecção de alguns desses registros falsos, segundo a polícia, houve a participação de dois policiais civis do estado de São Paulo, que tiveram seu afastamento determinado pela Justiça. Os dois foram denunciados por corrupção passiva.

Do total de 21 denunciados, sete tiveram a prisão preventiva decretada, entre eles quatro empresários, que agiam como intermediários e, por vezes, receptadores, pois disponibilizavam local para o armazenamento das cargas furtadas até o seu destino, seja repassando para um receptador final, seja vendendo para um comerciante de boa-fé.

Outros três alvos dos mandados de prisão eram proprietários de caminhões, que usavam os veículos para subtrair as cargas. Eles também eram responsáveis pelo recrutamento de motoristas para o esquema criminoso e pelo contato com os intermediários dos receptadores.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos empresários, proprietários de caminhões, motoristas e intermediários na capital, em Duque de Caxias, Piraí, Mesquita e Nova Iguaçu, além das cidades paulistas de Piracicaba, Ribeirão Pires, Guarulhos e São Paulo. A Justiça também determinou a apreensão de 12 caminhões utilizados pela organização criminosa para os furtos das cargas.

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