Quadrilha presa no Rio desviou 14 milhões de litros de combustível em 1 ano

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

A Polícia Civil prendeu 13 pessoas de uma quadrilha especializada em furto de combustível de oleodutos da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. A ação foi desenvolvida em conjunto com o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio. As investigações levaram 2 anos e meio para desarticular a quadrilha.

De acordo com os promotores de Justiça, o prejuízo com o desvio do furto de combustíveis como gasolina, diesel, álcool e petróleo cru é estimado em R$ 33,4 milhões. Apenas em 2016, o grupo desviou cerca de 14 milhões de litros de combustível da Petrobras Transporte S.A (Transpetro) apenas na Baixada Fluminense. A Operação Ouro Negro foi deflagrada hoje (16) no Rio, São Paulo e em Minas Gerais.

A quadrilha usava a técnica da trepanação, que consistia na instalação de uma derivação clandestina na tubulação perfurada, sem a necessidade de fechar o abastecimento do produto.

Com esta finalidade, a quadrilha alugava terrenos nos municípios de Duque de Caxias, Magé, Nova Iguaçu e perto do Arco Metropolitano, na Baixada Fluminense, onde fazia a extração do combustível, que depois era levado por caminhões para refinarias clandestinas em Minas Gerais e São Paulo. Em apenas duas horas de operação, o grupo chegava a encher seis caminhões de combustível furtado da Transpetro.

De acordo com a promotora de Justiça, Simone Sibílio, na refinaria clandestina de São Paulo foi constatado que no tanque havia petróleo cru, que é ilegal. “E confirmada a presença de 31 caminhões no pátio, sendo que pelo menos em 12 deles havia petróleo cru nos tanques”.

Dos 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça, seis foram cumpridos. Mais sete pessoas foram presas em flagrante durante a ação. A polícia cumpriu ainda 26 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

O chefe da quadrilha, Denilson Silva Peçanha, conhecido como "Maninho", foi ex-vereador por Duque de Caxias, em 2008. Ele não foi localizado e é considerado foragido pela Justiça. Maninho, além de responsável pela perfuração e retirada do combustível furtado, também providenciava a emissão de notas fiscais fraudulentas para o transporte da carga.

O promotor de Justiça Rogério Lima Sá disse que essa é uma atividade altamente lucrativa. “Em cada litro de petróleo eles extraem 50% de diesel e 30% de gasolina e os outros 20% eles descartam. Como essa atividade ilícita está dando muito dinheiro, esse tipo de crime aumentou substancialmente nos últimos anos”.

A Petrobras disse que por enquanto não vai se pronunciar sobre a questão do furto de combustível dos dutos da Transpetro na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e que no momento as informações estão concentradas no Ministério Público do Rio e na Polícia Civil.