Quadrilha que se passava por polícia na Baixada Fluminense usava mandados falsos para extorquir comerciantes

Rafael Nascimento de Souza
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A Polícia Civil do Rio vai iniciar a segunda fase da investigação contra um bando que extorquia dinheiro de comerciantes da Baixada Fluminense. Os criminosos se passavam por policiais e usavam mandados falsos para tirar dinheiro das vítimas, que também sofriam ameaças. Só uma pessoa foi vítima de extorsão pelo menos três vezes. Os agentes 66ª DP (Piabetá) cumpriram dois mandados de prisão e cinco de busca e apreensão, ontem.

Na investigação, que começou em janeiro, os agentes apuraram que os falsos policiais extorquiam dinheiro, principalmente, de empresários que estivessem com supostas irregularidades. Com falsas ordens judiciais, eles chegavam nos estabelecimentos e exigiam pagamento para que os mandados não fossem cumpridos.

Pelo menos quatro pessoas participavam dos crimes, entre eles Guilherme de Albuquerque Melo e Luiz Fernando Procópio Júnior, que tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça e foram detidos temporariamente. A operação aconteceu em Duque de Caxias, Belford Roxo e Magé. A dupla vai responder por extorsão e associação criminosa.

Em uma das lojas, no dia de uma cobrança, os bandidos roubaram todos os celulares de clientes que seriam consertados e outros que seriam vendidos. Além disso, levaram a vítima, que estava sem dinheiro na loja, a uma agência bancária para que ela sacasse todo o dinheiro que tinha em conta.

— Eles sempre agiam do mesmo jeito. Chegavam nos locais, que eles suspeitavam que tinham irregularidades, e faziam as extorsões. Chegaram a ir na casa de um empresário e afirmaram que ele estava preso por um delito. Durante a falsa prisão, eles fizeram a extorsão. O bando e a vítima foram até uma agência bancária e sacaram todo o dinheiro — contou o delegado Ângelo Lages, titular da delegacia de Piabetá.

Cansado de ser achacado, um microempresário denunciou o bando.

— A vítima viu de cara que eles não eram policiais e decidiu denunciar — lembra o Ângelo Lages.

Os investigadores acharam, com os suspeitos, camisas da polícia, acessórios para portar arma de fogo, um Mitsubishi Pajero blindado e telefones celulares possivelmente roubados. Segundo o delegado, a investigação terá uma segunda etapa para identificar outros envolvidos no esquema.