Quadrinista brasileira acusa série da Netflix de copiar sua HQ

Lançada há apenas três dias no catálogo da Netflix, a série de mistério "1899", dos mesmos criadores de "Dark", virou assunto entre os internautas depois que a quadrinista brasileira Mary Cagnin foi às redes acusar a produção de copiar um trabalho de sua autoria, neste domingo (20).

"ESTOU EM CHOQUE. O dia que descobri que a série 1899 é simplesmente IDÊNTICO ao meu quadrinho Black Silence, publicado em 2016", escreveu a ilustradora no Twitter, iniciando um fio em que aponta algumas semelhanças entre as duas obras.

"Está tudo lá: A pirâmide negra. As mortes dentro do navio/nave. A tripulação multinacional. As coisas aparentemente estranhas e sem explicação. Os símbolos nos olhos e quando eles aparecem", escreveu a brasileira, que já ilustrou livros e revistas para editoras Globo, Abril e Mol.

Ela continuou: "As escritas em códigos. As vozes chamando por eles. Detalhes sutis da trama, como dramas pessoais dos personagens, incluindo as mortes misteriosas."

A série alemã "1899", criada por Jantje Friese e Baran bo Odar, conta a história de uma embarcação cheia de imigrantes de diferentes nacionalidades que vão da Europa para Nova York em busca de melhores condições de vida, até que encontram um misterioso navio à deriva em mar aberto. À bordo, eles encontram enigmas e segredos que transformam a viagem em um pesadelo. No elenco, estão Andreas Pietschmann, Lucas Lynggaard Tønnesen, Miguel Bernardeau, Aneurin Barnard, Mathilde Ollivier, Emily Beecham e Alexandre Willaume.

Segundo a autora, é possível que os produtores da série tenham conhecido sua obra quando ela participou, em 2017, da Feira do Livro de Gotemburgo, na Suécia, um evento internacional no qual distribuiu o quadrinho "Black silence", em uma versão traduzida para o inglês, para editores e profissionais do ramo.

"Já chorei horrores. Meu sonho sempre foi ser reconhecida pela meu trabalho nacionalmente e internacionalmente. E ver uma coisa dessas acontecendo realmente parte meu coração", lamentou Mary Cagnin, lembrando que o quadrinho que está disponível para leitura on-line em seu site.