Quadro de Goya avaliado em € 2 milhões é esnobado em leilão

A obra, assinada pelo pintor espanhol Francisco de Goya (1746-1828), mostra a Virgem do Pilar diante de uma grande auréola e rodeada por São Tiago e seus discípulos. Segundo especialistas, data de 1775. No entanto, ninguém quis comprá-la. De acordo com o jornal espanhol El Pais, a obra foi oferecida pela casa de leilões Alcalá Subastas, em Madri, mas não houve interessados. O lance inicial era de € 2 milhões e o quadro não poderia sair da Espanha, pois fora declarada “Bem de Interesse Cultural”.

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“Agora vamos leiloar este maravilhoso quadro de Francisco de Goya e Lucientes que tenho às minhas costas”, disse o leiloeiro. Ninguém reagiu. Na plateia, silêncio. Nenhuma plaquinha se levantou. O telefone não tocou. Ninguém tentou fazer um lance pela internet. “Ninguém está animado?”, perguntou o leiloeiro, que continuou esperando por um lance. “Dois milhões, dois milhões”. Nada.

Nem o governo espanhol se interessou pelo quadro. O Estado tem preferência nos leilões. Mas Pilar Corchado, funcionária do Ministério da Cultura, que estava na plateia, não se manifestou. Naquele mesmo dia, ela já havia arrematado um ventilador do século XVII cujo preço inicial era de € 1.800 e uma coleção de quatro telas de Francisco Gallardo, pintor do século XVIII, que saíra por € 90 mil.

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Ao El Pais, Corchado justificou seu silêncio diante do Goya. “Não é que eu não queria”, disse. “É que nenhum museu nos apresentou o pedido para que o adquiríssemos. Isso depende da oportunidade, do preço, da representatividade da obra, se preenche uma lacuna no acervo de um museu estatal específico, muitos fatores influenciam."

“Aparição da Virgem do Pilar ao apóstolo São Tiago e seus discípulos” foi pintada quando Goya tinha 29 anos e já começava a ser reconhecido em Madri. Todos os homens representados no quadro usam barba e roupas antigas. Menos um. No canto esquerdo, de perfil, aparece um homem imberbe e vestido com roupas do século XVIII. Provavelmente, trata-se do próprio Goya, que gostava de retratar a si próprio em suas telas.

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