Quadro 'O grito' de Edvard Munch está precisando de distanciamento social, diz pesquisa

Até mesmo o famoso quadro 'O grito' (1910) do norueguês Edvard Munch está precisando praticar o distânciamento social. Isso porque cientistas descobriram que a tela está se deteriorando devido a umidade causada pela respiração humana. Uma equipe internacional de pesquisadores usou raios X e outras técnicas de pesquisa para investigar os motivos da tinta da icônica tela pintada em 1910 estar sendo danificada.

O grupo formado por especialistas vindos da Bélgica, Itália, Brasil e Estados Unidos publicou um artigo na "Sciences Advances", em que afirma que Munch usou acidentalmente uma tinta amarela impura muito vulnerável à umidade. A cor da pintura estaria desbotando devido a respiração dos visitantes que vão apreciar o quadro exposto no Museu Munch, em Oslo, na Noruega.

Como resultado, a tinta amarela brilhante que Munch havia usado originalmente para o fundo do pôr-do-sol na pintura e a área do pescoço de seu protagonista da tale, foi se degradando aos poucos até adquirir um tom de cor esbranquiçado. Já a tinta amarela mais grossa que ele usou para o lago acima da cabeça da figura gritando está descascando.

Com museus ao redor do mundo fechados para impedir a propagação da Covid-19, a pintura finalmente está tendo uma distância social necessária. A previsão é que o Museu Much reabra em meados de junho.

Um dos pesquisadoras da equipe, Koen Janssens, da Universidade de Antuérpia, aconselhou os visitantes a darem espaço à pintura em entrevista dada ao "The Guardian": "quando as pessoas respiram, elas produzem umidade e exalam cloretos; portanto, em geral nas pinturas, não é bom estar perto demais", disse ao jornal inglês.

Considerada uma das obras mais importantes do expressionismo, o quadro "O grito" possui quatro versões pintadas por Munch entre 1893 e 1910. Em agosto de 2004, a tela de 1910 foi roubada do Museu Munch juntamente com a pintura "Madonna" (1892-1895). Porém, as duas pinturas foram recuperadas em uma operação policial em 2006.