Quaest/Genial: Bolsonaro deve se preocupar com o que vê no retrovisor?

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SAO PAULO, BRAZIL - JANUARY 5: Brazilian president Jair Bolsonaro speaks press at the Hospital Vila Nova Star, during his discharge in Sao Paulo, Brazil, on January 5, 2022. The president had been hospitalized since Monday (3), for treatment of an intestinal obstruction. (Photo by Marcelo Goncalves/Anadolu Agency via Getty Images)
Foto: Marcelo Goncalves/Anadolu Agency (via Getty Images)

A pesquisa Quaest/Genial divulgada na quarta-feira 12 mostra para Jair Bolsonaro (PL) um cenário preocupante não só pelo que ele vê à frente, com o ex-presidente Lula (PT) abrindo 22 pontos na liderança e chances de liquidar a fatura já no primeiro turno. O atual presidente pode começar a se preocupar também com o que vê no retrovisor.

Lula tem 45% das intenções de voto e Bolsonaro, 23%. Sergio Moro (Podemos) aparece logo atrás, com 9% das intenções de voto. No limite da margem de erro, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, a diferença entre o presidente e seu ex-ministro da Justiça chega a dez pontos.

Parece muito, mas se encurtar um pouco mais pode haver um princípio de inversão de tendência.

Numa simulação de segundo turno, Moro bate o ex-chefe por 36% a 30%. Bolsonaro perde também para Ciro Gomes (PDT), por 39% a 32%.

Entre os eleitores do atual presidente, 24% veem o ex-juiz como a segunda melhor opção de voto. Se as chances de Bolsonaro miarem, a revoada pode ser inevitável. Ainda olhando o retrovisor, Bolsonaro precisa torcer para Ciro Gomes manter a candidatura até o fim. Se ele deixar a pista, Lula abocanha quase metade dos votos do pedetista (40%), que hoje tem 5% das intenções, e a eleição acaba.

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Lula lidera com folga o cenário de segundo turno contra Moro (50% a 30%), mas a distância já é menor do que na simulação contra Bolsonaro (54% a 30%).

Bolsonaro tem cerca de sete meses para mostrar serviço e impedir o avanço de quem vem de trás. Isso sem descuidar da dianteira. Não será tarefa fácil.

Na virada do ano eleitoral, o capitão preferiu insistir na estratégia adotada sempre que o contexto não lhe é favorável: foi passear de jet ski, fingiu que não era com ele a escalada inflacionária, voltou a atacar ministros do STF, chamou (agora nominalmente) adversários de “canalhas” e seguiu boicotando o programa de vacinação e as medidas de enfrentamento da Covid-19.

A conversa, que visa estimular o medo na população para na sequência se apresentar como única salvação possível (na conta do presidente, quanto mais pânico, melhor), pode energizar a base mais fiel e radical do presidente, mas quase não ganha território para além disso.

O cenário da Quaest/Genial mostra isso. Segundo o levantamento, 72% dos brasileiros contrariam o presidente e dizem ser correto vacinar crianças de 5 a 11 anos.

Mais: o índice dos que apontam o governo como ruim ou péssimo já é mais que o dobro do índice de aprovação (50% a 22%). A rejeição chega a 55% entre as mulheres. Entre quem recebe Auxílio Brasil (ou recebia Bolsa Família), a desaprovação vem arrefecendo, mas ainda é alta (53%, ante os 63% apontados em novembro).

Para 55% dos entrevistados, o governo Bolsonaro é pior do que se esperava. Essa é a avaliação apontada por quase quatro em cada dez eleitores do próprio presidente em 2018.

O desempenho do governo em temas-chave para o eleitorado em 2022 explica o descontentamento. Mais da metade dos entrevistados avaliam negativamente a forma como Bolsonaro combate a corrupção (58%), a Covid (63%), a criminalidade (61%), o desemprego (63%) e as queimadas na Amazônia (61%).

A maior nota vermelha, porém, se revela na avaliação do trabalho de Bolsonaro no combate à inflação: 80% de rejeição.

Até aqui, a resposta do presidente ao descontentamento dos eleitores é dizer que a culpa é deles por ficarem em casa enquanto ele estimulava (e continua estimulando) a propagação do vírus em busca de uma inviável imunidade de rebanho.

Também não tem colado sua tentativa de atribuir as notas baixas ao suposto boicote do Congresso (cooptado por ele via orçamento secreto, vale lembrar), governadores, Judiciário e até a Anvisa.

Hoje 66% dos eleitores dizem que conhecem Bolsonaro e não votariam nele. Apenas 2% dizem que não o conhecem. Moro, que vem logo atrás, tem rejeição alta, mas ligeiramente menor (59%). Ele é desconhecido por 14% dos entrevistados.

Os índices tendem a ser alterados conforme se aproxima a eleição. Se Bolsonaro insistir no velho papo já conhecido (e rejeitado) pela maioria dos eleitores, nem o segundo lugar nem a vaga no segundo turno estarão garantidos. O que hoje é projeto de terceira via pode virar em breve a segunda.

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