'Qual é o crime de se ter uma indicação política?', questiona Marinho sobre cargos no ministério

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BRASÍLIA – O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou que não vê problemas na indicação política de nomes para a sua pasta, mas ponderou que leva em consideração critérios técnicos para a nomeação. A declaração foi uma resposta a questionamento sobre loteamento político no ministério, durante audiência pública na Câmara dos Deputados.

— Quer dizer que o critério técnico e político não tem que ser levado em consideração? Qual é o crime de ser ter uma indicação? Me parece absolutamente despropositado esse tipo de acusação, entre aspas – afirmou.

E acrescentou:

— Nós temos técnicos e pessoas com afinidade política com partidos que representam a população brasileira, e evidente que há critérios na tanto no preenchimento das vagas. Esses critérios são todos eles levados em consideração pela Casa Civil e pela Segov (Secretaria de Governo).

O ministro ainda afirmou que não faria sentido se colocar em cargos de comando pessoas que são adversárias políticas do governo.

— Seria ingênuo e contraproducente – declarou.

Como o GLOBO já mostrou, o Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar a nomeação de Tiago Pontes Queiroz para o cargo de Secretário de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional. Queiroz foi escolhido para a função no ano passado. Sua indicação é atribuída ao Republicanos, partido que integra o centrão no Congresso.

Reunião com Jair Renan

Marinho também foi questionado sobre sua relação com a empresa Gramazini Granitos. A Gramazini faz parte de um grupo empresarial, com atuação nos setores de mineração e construção e que tem interesses junto ao governo federal, que presenteou Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente, com um carro elétrico.

Um mês após a doação, representantes da empresa se encontraram com Marinho. Essa reunião, que também teve participação de Jair Renan, foi marcada a pedido de um assessor especial da Presidência, justificou a pasta na época.

Questionado sobre qual seria o papel do filho do presidente para intermediar o encontro e a concessão de um subsídio para a empresa, Marinho afirmou que Jair Renan esteve na reunião, mas que a empresa não recebeu nenhum benefício por causa desse encontro.

— Eu recebi a empresa juntamente com o senhor Renan a pedido do senhor Joel Novaes, porque inclusive é da nossa competência receber empresas que propõem soluções tecnológicas novas na área da habitação. Recebi no dia 13 de novembro de 2020. Essa empresa havia solicitado de julho de 2019 o incentivo fiscal a que vossa excelência se refere (deputado Rogério Coreia, do PT-MG, que fez o questionamento). Eu sequer era ministro do Desenvolvimento Regional. E esse incentivo foi concedido dia 27 de agosto de 2019 – afirmou.