Qual a importância da missão que levou 12 pessoas com deficiência ao espaço

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Os 12 embaixadores da AstroAccess em frente ao aviao G-Force One
Os depoimentos de quem participou da missão revelam a importância deste acontecimento (Foto: Reprodução/ AstroAccess/Zero G Corporation)

Descrição da imagem: Os 12 embaixadores da missão AstroAccess estão em frente ao avião "G-Force One". Oito pessoas estão em pé, na fila de trás: Mary Cooper, Cheri Wells-Jensen, Eric Shear, Apurva Varia, Sina Bahram, Zuby Onwuta, Mona Minkara and Viktoria Modesta. Outras quatro pessoas, que usam cadeira de rodas, estão na fileira da frente: Sawyer Rosenstein, Dana Bolles, Eric Ingram and Centra Mazyck

17 de outubro de 2021: um dia histórico para aqueles que incentivam uma maior representatividade e inclusão em carreiras ligadas à ciência. Foi nesta data que pudemos presenciar um voo para o espaço com 12 embaixadores com diferentes tipos de deficiência: motora, visual e auditiva.

O grande feito foi realizado pela missão AstroAccess, uma iniciativa da ScsiAccess, uma organização internacional focada em promover as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês) para pessoas com deficiência.

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Os tripulantes voaram a uma altitude de 9.753 metros para vivenciar a ausência de gravidade. Eles puderam realizar uma série de demonstrações e experiências a bordo do avião G-Force One da Zero Gravity Corporation (Zero-G).

Os depoimentos de quem participou da missão revelam a importância deste acontecimento. Mary Cooper, estudante de engenharia aeroespacial, disse que ficou eufórica e que foi uma experiência surreal tirar sua perna protética e deixá-la flutuar.

Antes da viagem, Sheri Wells-Jensen, professora associada de linguística na Bowling Green State University, afirmou que estava extremamente emocionada. Para ela, o espaço era uma “tela em branco”.

Agora imagine quantas pessoas com deficiência possuem esse mesmo sentimento de vazio. Eu não consigo nem imaginar como é o espaço, já que boa parte das imagens que existem são inacessíveis para pessoas cegas. Não sei nem mesmo como são os aviões e foguetes utilizados nesse tipo de missão.

Tivemos outras novidades neste ano. Em 15 de setembro, Hayley Arceneaux se tornou a primeira pessoa com uma prótese a voar para o espaço. Em fevereiro, a Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou que contrataria o primeiro astronauta com deficiência na nova seleção, finalizada em junho deste ano.

É urgente promover mais acessibilidade, inclusão e representatividade na astronomia e em outras carreiras ligadas à ciência. Mas, mesmo com os avanços, isso está longe de acontecer. De acordo com a Scie Access, boa parte dos 26% dos norte-americanos com algum tipo de deficiência estão excluídos das carreiras espaciais, por exemplo.

O que dizer do Brasil, onde, muitas vezes, não existe nem recurso para pesquisadores? Ou, ainda, da dificuldade que grande parte dos estudantes tem em obter material acessível de qualidade para disciplinas como física, matemática, química e biologia?

Sem investimento em educação e no desenvolvimento de pessoas com deficiência, esse progresso ficará estagnado. Precisamos avançar. Essa iniciativa histórica mostra que podemos e devemos ter mais diversidade, inclusão e acessibilidade no espaço e em outras áreas relacionadas à ciência.

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