Qual a origem do nome artístico Gal Costa?

Gal Costa no
Gal Costa no "Altas Horas". Foto: Reprodução/Globo

Resumo da notícia:

  • Gal Costa é nome artístico de Maria da Graça

  • Cantora falou sobre apelido em entrevista ao Jô Soares

  • Caetano Veloso não teria aprovado a escolha

Nacionalmente conhecida como Gal Costa, a cantora que morreu nesta quarta-feira (9) foi eternizada na música brasileira por seu indiscutível talento. No entanto, seu nome de nascença não é o mesmo pelo qual é chamada há mais de cinco décadas de carreira. Inclusive, nem foi ela quem originou seu apelido.

Em entrevista a Jô Soares em 2013, a cantora chegou a falar sobre a mudança. "Eu inseri no meu registro o Gal. Ficou Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa, porque quando eu viajava ficava Borges Maria, e quem é Borges Maria?", brincou a cantora.

De acordo com o portal "Memória da Ditadura", Gal foi uma criação de Guilherme Araújo, produtor que removeu o nome Maria da Graça de seus shows. Inclusive, os íntimos a chamavam de Gau, com “u”. Mas Guilherme preferiu Gal com “l", porque achava a primeira forma menos feminina.

O site ainda diz que Caetano Veloso não aprovou a escolha. Isso porque Gal equivale à abreviatura de general, o que poderia relacionar a cantora ao General Costa e Silva, presidente do Brasil na época, durante a ditadura militar.

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década

Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)
Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)
Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

com informações das agências Folhapress, O Globo e BBC Brasil