'Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora', diz Bolsonaro sobre Amazônia após fala de Biden

Redação Notícias
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Brazil's President Jair Bolsonaro speaks during a joint press conference with  US President Donald Trump in the Rose Garden at the White House on March 19, 2019 in Washington, DC. (Photo by Jim WATSON / AFP)        (Photo credit should read JIM WATSON/AFP via Getty Images)
Bolsonaro é um dos poucos chefes de Estado do mundo que ainda não reconheceram a vitória de Biden sobre Donald Trump. (Foto: JIM WATSON/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu às possibilidades do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de aplicar sanções econômicas ao Brasil diante da condução frágil do governo no combate ao desmatamento na Amazônia. Sem citar o nome de Biden, disse que uma solução “apenas pela diplomacia não dá” e que “depois que acabar a saliva tem que ter pólvora”.

"Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de estado dizer que se não apagar o fogo da Amazônia, vai levantar barreira comercial contra o Brasil", começou Bolsonaro. "Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora. Senão não funciona. Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo” declarou o presidente, para uma plateia de empresários do turismo que participavam da "cerimônia de lançamento da retomada" do setor no país.

Bolsonaro é um dos poucos chefes de Estado do mundo que ainda não reconheceram a vitória de Biden sobre Donald Trump, para quem torcia publicamente. Mesmo líderes que mantinham boa relação com Trump, como o britânico Boris John e o turco Recep Tayyip Erdogan, cumprimentaram o presidente eleito.

No primeiro debate entre Biden e Trump, no último dia 30 de setembro, o então candidato democrata tocou em um dos pontos centrais de seu plano de governo, a questão climática, e citou o Brasil ao mencionar o papel de liderança que os Estados Unidos deveriam assumir no tema.

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“A Floresta Amazônica no Brasil está sendo destruída, arrancada. Mais gás carbônico é absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Eu tentarei ter a certeza de fazer com que os países ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): ‘Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de devastar a floresta. Se você não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas’”, afirmou o então candidato democrata, sem entrar em detalhes sobre que consequências seriam essas.

Na época, Bolsonaro disse que o Brasil não aceitaria “subornos” e classificou a declaração como “lamentável”.

Bolsonaro disse ainda que o seu governo tem como mudar o destino do Brasil e que o país "não terá outra oportunidade". E citou o exemplo do ex-presidente da Argentina Mauricio Macri, que tentou a reeleição no ano passado e foi derrotado para a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner.

“O Macri, na Argentina, é história, não conseguiu implementar suas políticas. Começou a levar pancadas dos seus seguidores, como eu levo agora também. Voltou a turma da Kirchner, Dilma [Rousseff], [Nicolás] Maduro, Evo [Morales], que já tá na Bolívia uma hora dessas de volta, e olha agora como é que fica a situação, os empresários tendo seus bens desapropriados, aumentando, aí sim, taxas, juros e impostos. E o Brasil não pode ir pra esse lado meu Deus do céu.”