Quando a música faz pensar: Conheça trabalhos de quatro artistas independentes

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RIO — Ela precisava voltar a ver o mundo em cores. Após a perda do pai para a Covid-19, em abril, a cantora e compositora Lu Dantas resolveu buscar refúgio na música: decidiu lançar a trilogia autoral “Por inteiro”, cuja segunda faixa, “Minha pressa”, um feat com o cantor e compositor Lucas de Castro, acaba de chegar às plataformas digitais pelo selo Peneira Musical. A produção musical é de Lucas Vasconcellos, ex-Letuce e integrante da atual formação da Legião Urbana; e a direção artística, de Suely Mesquita, parceira musical de nomes como Paulinho Moska e Zélia Duncan.

— “Minha pressa” fala de esperança, lembra que o melhor da vida é viver cada minuto. Aprendi isso com meu pai. A música foi o colo que eu precisava depois de meses de sofrimento com a partida dele — diz a moradora do Catete.

Ela conta que a trilogia representa as três fases que já experimentou: infância, adolescência e vida adulta. “Celeste”, já disponível, é uma homenagem a sua avó. E “Por inteiro”, que arremata o projeto, será lançada em 3 de dezembro.

— Demorei muitos anos para ter coragem de mostrar as minhas músicas autorais. Essa trilogia é o meu respirar — resume Lu.

Lucas de Castro, aliás, é outro que está lançando um trabalho autoral, o single “Barba na tua”, que fala sobre um relacionamento homoafetivo que não deu certo e ganhou um clipe que convida a dançar em casa. A produção musical é de JR Tostoi, responsável por hits de artistas como Lenine, Pietá e Isabella Taviani. E a direção artística também é de Suely Mesquita.

— A pandemia me trouxe um senso de urgência, de querer deixar algo no mundo para as pessoas. Quero que a minha música ajude a trazer mais respeito e a naturalizar o amor entre dois homens, que é a minha forma de amar — afirma Castro, que mora em Botafogo.

A faixa faz parte do projeto “DANCE!”, um EP audiovisual com referências do house, da disco music e com outras três canções, que serão lançadas a partir de janeiro do ano que vem:

— Este EP se conecta com a minha saudade de poder ir a baladas e me comunicar através da dança.

É para dançar —e pensar — o disco “Karawara”, que o maranhense Rommel acaba de lançar nas plataformas digitais pela gravadora Biscoito Fino. O álbum, seu sexto trabalho em estúdio, tem faixas em português, inglês, francês e espanhol. A produção musical é do artista e de Rafael Cunha França.

— Karawara significa “espíritos da floresta” em tupi-guarani e foi a forma que eu encontrei de homenagear os povos indígenas e as minhas origens. Meu pai é um indiozão “brabo” — conta Rommel, que se divide entre Montreal, no Canadá, e Copacabana.

A faixa-título tem clipe rodado no Xingu, que ganhará o mundo no próximo sábado e foi dirigido por Caio Lazaneo e Takumã Kuikuro, cineasta indígena morador da aldeia Ipatsé, no Mato Grosso. Hoje, às 21h, o artista faz um show de lançamento do disco em seu canal no YouTube (Rommel Music).

— De tantas lições que os povos indígenas podem nos dar uma é essa: de encontrar beleza nas coisas simples da vida — destaca Rommel, que já abriu show de Gilberto Gil no Festival Internacional de Jazz de Montreal.

Por falar em festival, o cantor e compositor Tom Karabachian lançará seis músicas novas no show que fará na segunda edição do Somamos Festival no próximo dia 19, às 20h, no Teatro Prudential, na Glória. A apresentação também marcará o lançamento de “Aviciou”, primeiro EP do filho de Paulinho Moska, que chegou recentemente às plataformas digitais com cinco faixas autorais.

— Como venho de uma casa de músicos, a música sempre esteve presente, é como se fosse um parente, já não me vejo sem — diz o morador do Leblon, que foi baixista da banda Dônica e já teve duas músicas gravadas por Martn’ália.

Ele conta que o disco, produzido por Zé Ibarra e Lucas Nunes, fala sobre fé, desilusões e “querer colocar para fora descobertas e sentimentos muito novos”. E se diz ansioso por se mostrar “por completo” no festival:

— Vou chegar com arranjos de sopros e força total. Estou viciado no meu disco.

Sócia do Instituto Evoé, gestora do Teatro Prudential e uma das idealizadoras do Somamos, que reúne artistas do cenário independente da música, Aniela Jordan destaca que Karabachian tem um “trabalho de bastante qualidade”.

— Assim como os demais participantes do festival. Nossa ideia é estimular jovens talentos que ainda não estouraram — afirma.

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