Quando a paz substitui a violência: projeto social em Santa Teresa lança livro e curta

“Se eu pudesse resumir em uma palavra, diria acolhimento”. “Uma palavra? Amor.” Assim é que o projeto Narrativas de Paz é descrito pelos beneficiados no curta-metragem “Experiências de primeira infância e cultura de paz”, lançado pelo Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip) junto com o livro “Outras narrativas para a primeira infância”. O vídeo está disponível no canal do Cecip no YouTube; e a publicação, na página da organização no Facebook.

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—Nossa ideia com o vídeo e o livro é que o projeto continue e sirva como referência e inspiração para iniciativas em outros territórios — afirma Soraia Melo, coordenadora do Narrativas pela Paz.

A iniciativa, realizada em Santa Teresa, foi desenvolvida em parceria com o posto de saúde do bairro, o Centro Municipal de Saúde Ernani Agrícola. O projeto foi motivado pela percepção de que a narrativa da violência é muito presente na região.

— Convivemos com a violência diariamente, não só no tiroteio, no abuso e nas relações tóxicas. Queremos que a primeira infância possa nascer de maneira respeitosa, que a relação com a escola, a família, a comunidade e a saúde atue na prevenção da violência, pensando na importância da primeira infância e da cultura de paz — diz Soraia.

Ela explica que três pilares balizaram os trabalhos: saúde, educação e assistência social. E que, por meio do Programa Saúde na Escola, do governo federal, foi feita uma integração com o Espaço de Desenvolvimento Infantil Heloísa Marinho e a Creche Cantinho Feliz, voltadas para crianças de comunidades de Santa Teresa.

— Também apoiamos o coletivo Mães de Santa, de mães moradoras de favelas da região, como o Morro dos Prazeres e o Fallet. Nós as levamos para nossas rodas de conversa, apoiamos ações empreendedoras delas. E também atuamos na formação dos agentes comunitários de saúde, que passaram a fazer mais do que perguntar se as crianças visitadas estão vacinadas: começaram a perceber se elas estavam indo à escola, se o direito ao brincar estava garantido naquele espaço — exemplifica Soraia.

Moradora do Morro dos Prazeres e integrante do coletivo Mães de Santa, Alice Agapito, mãe de Chloe, que fará 2 anos no próximo dia 27, é agente comunitária formada pelo Narrativas de Paz. E conta que o projeto fez toda a diferença em sua vida.

— Foi através da experiência com o grupo que eu consegui meu emprego atual. Mas mais do que isso, o Narrativas me ajudou a melhorar a minha autoestima, a ter mais confiança e dar valor ao meu trabalho. Aprendi a olhar o outro sem julgamento, por não saber as dores que ele carrega. E com mais amor, porque o mundo já julga demais, principalmente a mulher — afirma Alice.