'Quando vejo índices de alunos de escolas públicas crescerem nas universidades é uma alegria', diz estudante de coletivo da periferia de Belém

Raphael Kapa
·3 minuto de leitura

RIO — No bairro de Terra Firme, na periferia de Belém, Elias Costa, de 22 anos, teve uma trajetória escolar não linear. Com algumas reprovações e notas vermelhas, o jovem descobriu a importância da educação através de movimento social e, atualmente, usa o seu ativismo para que outros estudantes tenham um percurso educativo melhor do que o que ele teve.

— Faço parte de um coletivo de comunicação independente que fala sobre nossa “quebrada” para nossa “quebrada” e para além dela, o Tela Firme. Além disso, sou embaixador da juventude pela ONU. Quando a gente entende onde estamos, parece que ganhamos uma motivação extra para ocupar os lugares que queremos. Num país em que as juventudes são as pessoas que mais morrem vítimas de homicídio, a gente ativa a bandeira de que precisamos estar vivos e precisamos fazer uma resistência. Quando vejo os índices de alunos de escolas públicas crescerem nas universidades públicas é uma alegria —afirma Elias.

A história de Elias, que está estudando para o Enem, mostra a necessidade de valorizar a educação. Por esse motivo, ele foi um dos selecionados para a campanha da Fundação Roberto Marinho sobre o “Dia do Estudante”, comemorado nesta terça-feira, mas que será celebrado nas redes sociais da instiuição e com uma série de atividades no canal Futura até sexta-feira.

A ação ocorre em meio à pandemia da Covid-19, que está sendo um desafio a mais para Elias e para centenas de estudantes.

— Eu estudo para o Enem e senti muito a chegada da pandemia. Vi meu rendimento diminuir com tantas notícias. Mas vou prestar exame para Relações Internacionais e quero ocupar as cadeiras das universidades públicas — afirma Elias.

O estudante lembra ainda que suas atividades dentro do coletivo do qual faz parte também tiveram que mudar:

— Nós, do coletivo Tela Firme, nos mobilizamos para arrecadar alimentos e kits de higiene para nosso bairro. Tivemos que parar outras ações por conta da pandemia. O que mudou é que estamos mais (presentes) ainda na internet e precisamos achar métodos para encontrar aqueles que não estão lá.

Junto com Elias, há outras histórias, como a de Raíssa Barbosa, de 18 anos, aluna da escola da Fundação Roberto Marinho em São Gonçalo (RJ). Raíssa será a primeira dos sete irmãos a concluir o ensino básico.

Ana Paula Brandão, gerente de Implementação e Mobilização da Fundação Roberto Marinho, afirma que esse é um dos principais desafios quando se pensa em educação. Muito antes da pandemia, a instituição já promovia ações para combater a evasão escolar.

— Vivemos num momento muito crítico e precisamos o tempo todo falar com os jovens, famílias e gestores sobre a importância de não deixar nenhum para trás. Não podemos perder ninguém. Nesse momento em que eles estão muito desiludidos, porque a educação remota mostrou as desigualdades que existem no país, temos que reforçar esse discurso.

A campanha para o dia do estudante é baseada em histórias, como a do Elias, mas sempre tendo o jovem como protagonista ou produtor delas. A lista das iniciativas podem ser vistas aqui.