Quarteto Bandolinata apresenta show gratuito no Centro

Sérgio Luz

O Bandolinata foi formado em 2017, visando participar das homenagens ao centenário de nascimento de Jacob do Bandolim, que seriam realizadas no ano seguinte. Por questões técnicas e mudança de integrantes, o projeto acabou só saindo do papel depois da data prevista. Após estrear na Casa do Choro, o grupo instrumental chega hoje ao Espaço Cultural BNDES, onde mostra, em apresentação gratuita, seu ponto de interseção entre as tradições erudita e popular.

— Para emular um quarteto de câmara (dois violinos, viola e violoncelo), precisávamos de um instrumento grave, e tive que mandar fazer um bandocello, que é uma espécie de de bandolim grave, fora do Brasil. Essa formação não é original, existe no exterior, mas focada mais em música clássica — explica Marcílio Lopes (bandocello), que forma o conjunto ao lado de Luis Barcellos (bandolim de 10 cordas), Maycon Júlio (bandolim) e Son Lemos (violão tenor).

Se não tiveram tempo de prestar tributo a Jacob há dois anos, hoje o Bandolinata apresenta cinco temas do compositor, como “Quebrando galho”.

— O Jacob é quem consolida o jeito de tocar brasileiro, voltado ao canto popular. Nossa ideia é levar isso para o formato de câmara. O bandolim tem vocação solista, uma coisa de prima donna, como a guitarra de rock, aquela guerra de egos — brinca Marcílio. — E a gente quebra isso, os solos rodam por todos os músicos.

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Autor de uma tese de doutorado intitulada “O dito e o não dito: a palavra cantada no gesto instrumental de Jacob do Bandolim”, o artista exalta a importância do autor com mais composições no repertório do grupo, que traz ainda obras de Radamés Gnatalli, Cláudio Santoro e Ernesto Nazareth, Alberto Nepomuceno e Hermeto Pascoal, entre outros:

— Ele acompanhava muitos cantores na era do rádio, tinha intimidade com o canto. E essa conexão influenciou na sua maneira de tocar, tentando copiar o comportamento da voz, o glissando, com gestos ligados à palavra. Não é estritamente métrico, mas muito expressivo. Uma grande característica de sua obra é o tempo, que emula a voz, como se tocasse tentando soar como o Orlando Silva — comenta.

Marcílio assina o arranjo de 13 das 14 faixas do roteiro, com exceção de “Colo de mãe”, tema escrito e arranjado por Barcellos.

— Sou um obcecado, queria ver esse negócio funcionando logo — comemora.

Onde: Espaço Cultural BNDES. Av. República do Chile 100, Centro (2172-7447). Quando: Qua, às 19h. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.